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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Filosofia de faqueiro

Eu tenho uma faca preferida para abrir coco verde. Ela tem o cabo branco e a ponta afiada. Isso significa que vou procurar por ela, mesmo suja, e quando outras estão limpas e disponíveis. Hoje usei ela de manhã. Depois ia usar de novo, procurei por ela duas vezes, mas não a encontrei. E pensando como podia estar acontecendo isso, já tinha usado ela horas antes, ela não deveria estar longe. Superei esse mistério e desconforto, usei outra faca para a tarefa. Fiz e tive um resultado satisfatório, apesar de tudo que pensei antes de arriscar usar outra faca. Depois que usei voltei para a pia. Movimentei os itens e encontrei minha faca preferida, que não tinha visto antes, quietinha debaixo de um pratinho, como se tivesse brincado de esconde esconde comigo. Ela quase disse "achou!". Ela me ajudou a cortar um hábito. Me mostrou que dá pra fazer as coisas direito com as outras facas também. Dá pra fazer certo, mesmo que não seja exatamente do jeito que pensei antes, se conseguir abrir mão e escolher de novo qualquer coisa, até mesmo uma faca

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Objetos que falam...

Um dia ao fechar a caixa de eletricidade da sala notei que a tampa estava um pouco torta, deixando a mostra alguns centímetros de tinta de parede na cor rosa. A parede da casa que moro há quase onze anos, que sempre vi na cor branca. Quando as coisas saem um pouco do lugar, a gente pode acessar um passado remoto e desconhecido. Eu não sei quem morou aqui quando essa parede foi cor de rosa. Mas sabia quem pintou ela na cor branca tantas vezes. A gente pode deixar marcas físicas no pequeno mundo dos nossos lares, onde passamos a maior parte do tempo. O arame que ajuda a prender a estante na parede. Reparar a direção do pincel na tinta que está na parede. Reparar aquela parede do canto que a pintura não terminou. Os remendos da porta sanfonada do banheiro. O corrimão improvisado no caminho dos quartos. As grades colocadas nas janelas para deixar a casa mais segura. Os trincos das portas. Os quatro tipos de piso diferentes usados no quintal. As ferramentas e bagunças da garagem. As telhas que acolhem a chuva que cai nesse momento. Um boné manchado pendurado na parede do quintal, pronto para usar na hora de uma pintura. Um par de chinelos na garagem, ambos não saem do lugar e vão ganhando camadas de poeira. Até que um dia alguém consiga jogar fora esses dois últimos objetos, testemunhas de uma ausência que já completou um semestre...

sábado, 17 de dezembro de 2016

Minha Experiência de Sucesso

Começou em 14/08 quando comprei ingresso para evento que seria em 08/10 no estádio do Morumbi. O evento foi adiado para 17/12. E no começo desse mês o local foi alterado para o Anhembi.
O meu desafio pessoal é lidar com situações que envolvam grandes volumes de "cerumaninhos" por metro quadrado. Desde que confirmei a compra ficava pensando nisso. Quando era no estádio ficava pensando na previsão do tempo, é quase verão, pode chover, pode ter temporal. Antes de mudar o local pensava o qual distante era o Morumbi, e sair de lá 22h e voltar para o extremo norte... Eram muitas pré ocupações, mas fui fazendo outras coisas, dizendo para mim quando chegar o dia e a hora eu vejo como vai ser. Deixei para imprimir o pré credenciamento dois dias antes. Comprei um ingresso só contando que iria sozinha e tudo bem. Mas na reta final apareceu a companhia da Kátia Flora. Antes de sair de casa, uma dor de barriga daquelas. O tal dia chegou, é hoje. Nem quis comer em casa com medo de um "movimento passe livre intestinal". Comi uma maçã. Encontrei a Kátia no metrô. Pegamos a lotação. Chegamos ao local 13:30, para evento que começaria às 15:00. Foram 40 minutos no sol até a fila entrar, tranquilos. Nada de frio na barriga, exceto quando vi o preço do hot dog/ pastel/ pipoca a dez reais cada, garrafa de água a cinco, picolé de frutas a seis reais. Senti fome e me alimentei sem medo de ter um piriri. Hora de procurar um lugar para sentar. Sentamos atrás de uma área mais cara que estava mais vazia. As palestras começaram. Disseram que eram mais de dez mil pessoas! E eu consegui estar ali sentada em paz, sem coração acelerado, sem crise de pânico, sem vontade de fugir. Só quem já sentiu sabe como é opressor passar por isso. Entre dez mil cerumaninhos, ouvindo alguns, ouvindo a mim mesma, ouvindo meu coração. Tendo aqueles momentos de fechar os olhos e estar ali comigo ouvindo aquelas histórias, me emocionando com elas, chorando, rindo, aplaudindo, relembrando...

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

5 meses de luto #pai

No dia 13 completou cinco meses que meu pai se foi 
Contados como uma gravidez inversa
Seu corpo voltando para a terra
O luto também é uma luta contra o medo do esquecimento
É um deixar ir aos poucos as dores, dúvidas, inconformismos
É segurar esperanças, memórias, virtudes
É buscar aceitação, entendimento, novos sonhos, novos sentidos
É buscar um renascer diário no coração
É descobrir um novo significado para palavras como amor, saudade, distância, felicidade, gratidão...
É vê-lo em mim, no formato dos meus olhos, nas veias saltadas, na teimosia
É me sentir irmã na dor, de todos e todas que passaram por isso
Lidar com a primeira grande perda sem me perder...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Os cocos verdes, a vida, os dias...

Esse ano inseri a água de coco quase como uma bebida diária. Evito refrigerante e só compro em casa quando vem visita. Se estiver em algum lugar e for a única opção posso tomar alguns goles. Faz anos que não bebo café, nem Coca Cola. Comprei uma Coca do rótulo verde e tomei um gole de curiosidade. 
Saindo da Coca e voltando aos cocos verdes, estes são pesados, fazem volume, comprar mais de um na quitanda da rua de cima equivale a um leve exercício físico para os braços, sem contar o ato de abrir...
Como o coco verde parece com a vida! As vezes simples, mas a gente complica até encontrar jeitos de descomplicar. No começo comprei um fura coco, usava facão para cortar um pedaço antes de usar o furador, mas hoje o jeito mais fácil é tirar o cabinho e abrir um buraquinho com uma faca pequena e de ponta afiada. Alguns são mais macios e a água aparece com a primeira facada. Outros precisam de furos mais profundos e mais facadas até libertar o precioso líquido.
Tem coco que vem 350 ml, outros 600 ml, mas a média é 400 ml. Tem uns mais doces, outros menos. E tudo isso a gente só descobre depois que consegue abrir, e depois que prova o primeiro gole.
Dizem que quem vê cara não vê coração. Poderiam dizer quem vê coco não sabe quão doce ou quanta água tem.
Por fora todos os cocos parecem verdes e iguais. Assim como os dias, alguns foram mais doces, outros não. Alguns tinham mais coisas para aproveitar, outros não. Alguns mais fáceis de lidar, outros não. E a gente só vai saber vivendo, abrindo cada um deles, um dia de cada vez, sem se cansar tentando adivinhar antes...

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Presentes de natal nos correios

Fui colocar uma caixa no Correio e pela primeira vez observei as cartinhas de natal em uma agência da região central de SP. Percebi que muitas delas pedem mais que um presente, algumas colocam duas opções tipo um "tablet" ou uma "roupa", uma "bicicleta" ou um "calçado". Muitos querem patins, bicicletas, celulares e tablets. Eu até pensei em pegar uma, mas os pedidos estão altos demais para uma pessoa desempregada. Eu mesma não tenho um tablet, nem patins, nem bicicleta kkk... Mas olhei as cartas de novo, acabei escolhendo uma cartinha de uma menina de 9 anos que vai ganhar brinquedos, que são a terceira opção depois da bicicleta e dos patins. Ela quer algo da Moranguinho. Ela disse que o natal é divertido mesmo sem presente!

terça-feira, 15 de novembro de 2016

15 de novembro de 2016

Hoje meu pai completaria 66 anos, mas dia 13 agora completou quatro meses de sua morte.
Faz parte de quem eu sou "contar" o tempo que passou, contar numericamente, contar a jornada que passei no correr dos dias. (Jornal vem do latim 'diurnalis' - diário. Jornada vem de dia, o que acontece em um dia)
Hoje é seu primeiro aniversário sem você por aqui. Estou pensando se esse feriado vai ser como o Natal. Um aniversário sem aniversariante, no qual a parcela da humanidade criada na cultura cristã pensa no que a vida do aniversariante fez pela vida delas. No meu caso seria um feriado restrito a quem viveu e conheceu meu pai terreno rs, pensar o que a vida dele influenciou a vida de quem o conheceu. Para mim o 15/11 junto com o 04/04 de minha mãe resultaram no meu 23/05. É mais um dia para lembrar do barulho da chave dele pendurada no passante das calças de alfaiataria, que chamamos de calças "sociais", como se outras calças fossem "anti-sociais" rs. É dia de lembrar de quando eu estava com a chave na mão saindo de casa e ele dizia "olha, escuta" e dizia ou pedia algo antes que eu saísse. E eu me irritava por estar atrasada, hoje não tem mais você aqui, descobri que o verdadeiro incômodo é o silêncio da ausência. Engraçado que sua profissão fosse porteiro e tantas lembranças suas envolvam portas e chaves rs. Mas para mudar um pouco o assunto, lembro também que ele já me chamou de "rainha da teimosia" e querer hoje ter essa teimosia, não mais de um modo infantil, mas uma persistência de recomeçar e continuar batendo em portas, procurando chaves, janelas e novas portas na minha vida. Obrigada pai por todas as portas que abriu para mim!

Which Grey's Anatomy Character Are You?