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sábado, 17 de dezembro de 2016

Minha Experiência de Sucesso

Começou em 14/08 quando comprei ingresso para evento que seria em 08/10 no estádio do Morumbi. O evento foi adiado para 17/12. E no começo desse mês o local foi alterado para o Anhembi.
O meu desafio pessoal é lidar com situações que envolvam grandes volumes de "cerumaninhos" por metro quadrado. Desde que confirmei a compra ficava pensando nisso. Quando era no estádio ficava pensando na previsão do tempo, é quase verão, pode chover, pode ter temporal. Antes de mudar o local pensava o qual distante era o Morumbi, e sair de lá 22h e voltar para o extremo norte... Eram muitas pré ocupações, mas fui fazendo outras coisas, dizendo para mim quando chegar o dia e a hora eu vejo como vai ser. Deixei para imprimir o pré credenciamento dois dias antes. Comprei um ingresso só contando que iria sozinha e tudo bem. Mas na reta final apareceu a companhia da Kátia Flora. Antes de sair de casa, uma dor de barriga daquelas. O tal dia chegou, é hoje. Nem quis comer em casa com medo de um "movimento passe livre intestinal". Comi uma maçã. Encontrei a Kátia no metrô. Pegamos a lotação. Chegamos ao local 13:30, para evento que começaria às 15:00. Foram 40 minutos no sol até a fila entrar, tranquilos. Nada de frio na barriga, exceto quando vi o preço do hot dog/ pastel/ pipoca a dez reais cada, garrafa de água a cinco, picolé de frutas a seis reais. Senti fome e me alimentei sem medo de ter um piriri. Hora de procurar um lugar para sentar. Sentamos atrás de uma área mais cara que estava mais vazia. As palestras começaram. Disseram que eram mais de dez mil pessoas! E eu consegui estar ali sentada em paz, sem coração acelerado, sem crise de pânico, sem vontade de fugir. Só quem já sentiu sabe como é opressor passar por isso. Entre dez mil cerumaninhos, ouvindo alguns, ouvindo a mim mesma, ouvindo meu coração. Tendo aqueles momentos de fechar os olhos e estar ali comigo ouvindo aquelas histórias, me emocionando com elas, chorando, rindo, aplaudindo, relembrando...

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

5 meses de luto #pai

No dia 13 completou cinco meses que meu pai se foi 
Contados como uma gravidez inversa
Seu corpo voltando para a terra
O luto também é uma luta contra o medo do esquecimento
É um deixar ir aos poucos as dores, dúvidas, inconformismos
É segurar esperanças, memórias, virtudes
É buscar aceitação, entendimento, novos sonhos, novos sentidos
É buscar um renascer diário no coração
É descobrir um novo significado para palavras como amor, saudade, distância, felicidade, gratidão...
É vê-lo em mim, no formato dos meus olhos, nas veias saltadas, na teimosia
É me sentir irmã na dor, de todos e todas que passaram por isso
Lidar com a primeira grande perda sem me perder...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Os cocos verdes, a vida, os dias...

Esse ano inseri a água de coco quase como uma bebida diária. Evito refrigerante e só compro em casa quando vem visita. Se estiver em algum lugar e for a única opção posso tomar alguns goles. Faz anos que não bebo café, nem Coca Cola. Comprei uma Coca do rótulo verde e tomei um gole de curiosidade. 
Saindo da Coca e voltando aos cocos verdes, estes são pesados, fazem volume, comprar mais de um na quitanda da rua de cima equivale a um leve exercício físico para os braços, sem contar o ato de abrir...
Como o coco verde parece com a vida! As vezes simples, mas a gente complica até encontrar jeitos de descomplicar. No começo comprei um fura coco, usava facão para cortar um pedaço antes de usar o furador, mas hoje o jeito mais fácil é tirar o cabinho e abrir um buraquinho com uma faca pequena e de ponta afiada. Alguns são mais macios e a água aparece com a primeira facada. Outros precisam de furos mais profundos e mais facadas até libertar o precioso líquido.
Tem coco que vem 350 ml, outros 600 ml, mas a média é 400 ml. Tem uns mais doces, outros menos. E tudo isso a gente só descobre depois que consegue abrir, e depois que prova o primeiro gole.
Dizem que quem vê cara não vê coração. Poderiam dizer quem vê coco não sabe quão doce ou quanta água tem.
Por fora todos os cocos parecem verdes e iguais. Assim como os dias, alguns foram mais doces, outros não. Alguns tinham mais coisas para aproveitar, outros não. Alguns mais fáceis de lidar, outros não. E a gente só vai saber vivendo, abrindo cada um deles, um dia de cada vez, sem se cansar tentando adivinhar antes...

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Presentes de natal nos correios

Fui colocar uma caixa no Correio e pela primeira vez observei as cartinhas de natal em uma agência da região central de SP. Percebi que muitas delas pedem mais que um presente, algumas colocam duas opções tipo um "tablet" ou uma "roupa", uma "bicicleta" ou um "calçado". Muitos querem patins, bicicletas, celulares e tablets. Eu até pensei em pegar uma, mas os pedidos estão altos demais para uma pessoa desempregada. Eu mesma não tenho um tablet, nem patins, nem bicicleta kkk... Mas olhei as cartas de novo, acabei escolhendo uma cartinha de uma menina de 9 anos que vai ganhar brinquedos, que são a terceira opção depois da bicicleta e dos patins. Ela quer algo da Moranguinho. Ela disse que o natal é divertido mesmo sem presente!

terça-feira, 15 de novembro de 2016

15 de novembro de 2016

Hoje meu pai completaria 66 anos, mas dia 13 agora completou quatro meses de sua morte.
Faz parte de quem eu sou "contar" o tempo que passou, contar numericamente, contar a jornada que passei no correr dos dias. (Jornal vem do latim 'diurnalis' - diário. Jornada vem de dia, o que acontece em um dia)
Hoje é seu primeiro aniversário sem você por aqui. Estou pensando se esse feriado vai ser como o Natal. Um aniversário sem aniversariante, no qual a parcela da humanidade criada na cultura cristã pensa no que a vida do aniversariante fez pela vida delas. No meu caso seria um feriado restrito a quem viveu e conheceu meu pai terreno rs, pensar o que a vida dele influenciou a vida de quem o conheceu. Para mim o 15/11 junto com o 04/04 de minha mãe resultaram no meu 23/05. É mais um dia para lembrar do barulho da chave dele pendurada no passante das calças de alfaiataria, que chamamos de calças "sociais", como se outras calças fossem "anti-sociais" rs. É dia de lembrar de quando eu estava com a chave na mão saindo de casa e ele dizia "olha, escuta" e dizia ou pedia algo antes que eu saísse. E eu me irritava por estar atrasada, hoje não tem mais você aqui, descobri que o verdadeiro incômodo é o silêncio da ausência. Engraçado que sua profissão fosse porteiro e tantas lembranças suas envolvam portas e chaves rs. Mas para mudar um pouco o assunto, lembro também que ele já me chamou de "rainha da teimosia" e querer hoje ter essa teimosia, não mais de um modo infantil, mas uma persistência de recomeçar e continuar batendo em portas, procurando chaves, janelas e novas portas na minha vida. Obrigada pai por todas as portas que abriu para mim!

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A porta e o parafuso

Um dia estava numa casa. Usei o banheiro dessa casa algumas vezes. De repente a porta que fechava normalmente travou e não encostava no batente para fechar. "Deve ser um problema na porta", pensei. Olhei as dobradiças da porta, não vi nada de anormal. Decidi chamar um morador da casa para mostrar o que aconteceu. Quem sabe não fosse a primeira vez. O morador tentou mover a porta sem sucesso, mas ao invés de olhar a dobradiça da porta como eu fiz, ele foi por outro caminho. Ele olhou para o chão. E no pequeno vão entre o chão e a porta ele encontrou um parafuso bem pequeno, que mal dava para enxergar. Assim que ele tirou esse parafuso do chão, a porta voltou a fechar normalmente. Um pequeno parafuso bem menor que a porta não permitia que ela fechasse.
Talvez a vida, quando não flui naturalmente, seja como essa porta travada, as vezes a gente acha que o problema é a porta, está na porta, mas as vezes o problema só está muito perto dela, a ponto de parecerem uma coisa só. É infinitamente menor que ela em tamanho, mas pode comprometer completamente seu movimento. Talvez você precise de ajuda para encontrar o parafusinho que travou sua porta... Lembrei aquela frase que apertar um parafuso não custa nada, mas o valor do trabalho está em saber qual é o parafuso certo que deve ser apertado...

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Correnteza da vida levando aqueles que amamos...

A ficção e a vida se cruzam o tempo todo. Dias após a morte do meu pai eu assistia a quase morte do personagem Santo dos Anjos, nordestino trabalhador com duas filhas assim como meu pai. E aquilo mexia muito comigo. Tereza, a mulher que o amava buscava por ele para trazê-lo de volta a vida. A personagem de Camila Pitanga, que ontem por duas vezes tentou e não conseguiu segurar o parceiro de cena pelas mãos. Tereza trouxe Santo de volta a vida, mas Camila não conseguiu salvar Domingos. A gente lembra do momento que segura a mão de alguém querido num hospital e não pode impedir a partida dessa pessoa. As mãos não se alcançam, as vezes se alcançam, mas um dia tem que se soltar uma da outra... É a correnteza da vida, é a correnteza dos rios, levando e trazendo as pessoas que a gente ama.
O cenário da novela, o Rio São Francisco que atravessa o estado de Alagoas onde meus pais nasceram. E entre Alagoas e Sergipe na tarde de ontem se encerrou a vida do ator Domingos Montagner, casado, pais de três filhos. A vida de Domingos e de Santo se fundiram.
Os índios que contracenaram com ele disseram: "Por que estão querendo trazer a alma dele de volta? Ele nasceu de novo hoje. Ele se tornou um novo protetor do rio São Francisco, que estava tão esquecido. Porque esse rio não pode morrer. A novela contou todos os mistérios do rio e esse é mais um deles. Mas ele se tornou um ser de luz, pois a água não tira a vida, ela dá a vida. Fiquem felizes pela alma dele, pois quando ele entrou no rio se despediu do corpo e alma, nasceu em um mundo melhor. Algum dia os brancos irão entender isso. Então, temos que fazer um ritual para que os brancos entendam e sejam fortes, pois ele está bem, Ele agora é um protetor do rio São Francisco"

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Jogos Olímpicos Eleitorais

Começou a edição dos Jogos Olímpicos Eleitorais com as seguintes modalidades:
-levantamento de copo americano de café em padarias do centro e das quebradas
-degustação de iguarias periféricas como pasteis, pão na chapa e congêneres
-levantamento de crianças pobres em poses para fotos
-arremesso de santinhos em casas e comércios
-boxe e luta livre e luta greco romana entre adversários políticos
-ping pond de acusações entre candidatos nos debates políticos
-nado sincronizado com aliados políticos
-ginástica olímpica na interação com eleitores nas ruas
-canoagem remando contra as marés sociais
-hipismo com a cavalaria da polícia
-tiro ao alvo, tiro, porrada e bomba, tiro todos os seus direitos
-esgrima alfinetando adversários com boatos
-taekondo tá é com dor de tanto fingir sorrisos
-velas acesas para todos os santos
-corrida para todos os canais de televisão
-basquete jogando na cesta do lixo as reclamações da população
-500 metros rasos de caminhadas em periferias diversas
-revezamento 4 por 100, a cada quatro anos as mesmas "cem"vergonhices
-marotona de discursos de promessas
-triatlon: discurso, levantamento de copo americano e de crianças
-pentatlo: selfies, apertos de mãos, discurso, levantamento de copo americano e de criancinhas

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Balanço sobre as primeiras Olimpíadas realizadas no Brasil em 2016

Pela primeira vez as Olímpíadas foram realizadas no Brasil. E pela primeira vez como dona do meu tempo, no sofá de casa assisti mais jogos e competições, de diversas modalidades esportivas. Vi a rapidez e o carisma de Bolt, a concentração e humanidade do Phelps. Ambos não tem mais o que conquistar e dizem estar em sua última competição dos  jogos olímpicos. Encerrando a carreira no Rio.

Novos nomes surgindo. Mais nomes mais conhecidos se aposentando de  vários países... Uma cidade que por 17 dias foi mais reconhecida por seu calor humano do que por seus maiores problemas. Um país reconhecendo suas capacidades num momento de dificuldade

O Brasil é um país jovem que recebeu sua primeira edição dos jogos olímpicos. Tão jovem que talvez ainda seja da turma do fundão, aquele que faz bagunça na aula, que vaia os coleguinhas

Independente das vaias a gente descobre outro grande fator além do preparo físico, o preparo emocional. Ele pode explicar vitórias em meio as vaias e derrotas em meio aos gritos de incentivo. A torcida influenciou bastante mas não foi o que decidiu nenhuma das competições. Pelo fator torcida o Brasil teria ficado com todos os ouros

Vitórias depois de tantas derrotas, como o Rodrigo Hypólito. Derrotas depois de tantas vitórias, como as meninas do volei de quadra feminino. Cada edição é só um trecho da história, que teve seus precedentes nas edições anteriores e que terá continuação nas próximas edições...

Tecnologias que permitem desafiar os oponentes com imagens do jogo. Celulares que fizeram shows de luzes e selfies nas arenas até o desfile final.

E quando acabou teve "ah"

Ganhar, perder, viver

domingo, 14 de agosto de 2016

Uma carta para o meu pai no 1º dia dos pais sem ele

Essa carta foi atendendo uma sugestão da página Vamos falar sobre o luto? #umaboanotícia‬
Pai esse primeiro mês sem a sua presença física não foi nada fácil. O primeiro dia dos pais sem você. Tudo tão rápido, tão inesperado! E sem você há um silêncio, a gente tem que aprender a continuar se virando, mais do que isso aprender a ver, ouvir, sentir você em tudo, sem você estar aqui. Assumir responsabilidades, mas mantendo cada um no seu lugar. Acreditar que levaremos seus ensinamentos no dia a dia, e no coração por toda a vida.
Me disseram que esse pode ser o melhor ano da minha vida, mas eu ainda não acredito que será meu melhor ano por ter sido também o ano da sua partida! Espero que você nos veja crescendo onde estiver.
Quem dera eu tivesse mais boas notícias para te dar agora. No momento a boa notícia é que estamos seguindo, dia a dia. Há muito o que fazer ainda. Cada um leva do seu jeito. Há uma certa solidão nisso. A cada momento uma escolha pela vida, seja numa atitude, seja num alimento. Eu penso no que aprendi e no que ainda vou aprender.
Agradeço porque a palavra pai tem um significado bonito e significativo graças a tudo que você fez por nós, em 34 anos de casamento com a minha mãe, nos meus 33 e nos 29 da Ariane. Ter tido um pai é um privilégio, quando muitos nunca tiveram amor, carinho, atenção, sequer o básico como um sobrenome e reconhecimento.
Outras pessoas que enfrentam a perda de um pai me mostraram que não importa quanto tempo passe, todo mundo sente uma vontade de feito mais, por não saber, por esquecer que a vida passa tão rápido. Todo mundo que pergunta de você não acredita que você não está mais aqui. Dias atrás eu lembrei que você me levou ao ponto de ônibus, segurou minha mala e me deu um abraço quando saí para um curso fora. Esses dias voltei a sair para aprender e reaprender coisas, agora eu não tenho mais novos abraços seus. Tenho que reviver os que já tive, mas tenho abraços suficientes para relembrar dentro do meu coração...

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Os papeis da vida civil e da vida vivida

Um dia ele iniciou a minha vida civil, três dias depois do meu nascimento. É o costume que o pai se dirija ao cartório, enquanto a mãe dá assistência ao recém nascido. Meu pai foi a um cartório de registro civil em Santana, na zona norte de São Paulo me dar um nome, tirar o meu primeiro documento. A primeira burocracia da minha vida, enquanto minha mãe cuidava de mim. A folha era simples, datilografada. Está dobrada três vezes, dividida em nove partes de papel numa capinha cor de rosa que a protege até hoje. Com o passar dos anos, esticar para copiar, dobrar e guardar de volta, na adolescência ela ganhou um carimbo e o número do meu RG escrito a mão. O RG que ele levou para fazermos numa delegacia quando eu tinha 12 anos. Depois quando entrei no meu primeiro emprego ele foi comigo abrir minha primeira poupança, a primeira feita por mim, porque anos antes houve uma feita por ele. Depois disso já tive mais dois RGs e outras tantas contas abertas e fechadas em bancos. 
A certidão de nascimento dele tem três dobras que a dividem em oito partes. Mais amarelada e com quase o dobro de idade da minha tem como cabeçalho República dos Estados Unidos do Brasil. Naquela época e naquelas condições no sítio, levavam anos e as vezes registravam mais de um filho de uma vez. A certidão dele foi preenchida a mão e com a caneta na cor verde, emitida em em outubro de 1953 num cartório no município de Tanque D' Arca, quase três anos depois de seu nascimento em 15 novembro de 1950 no sítio Cardoso na cidade de Mar Vermelho no estado de Alagoas, o declarante o pai dele José Nunes de Melo, que nunca conheci pois ele morreu meses depois do meu nascimento, também por problemas de coração. 
A vida física do meu pai terminou em 13 de julho de 2016 e a vida civil uma semana depois, em 20/07/2016 num cartório da região da Cachoeirinha, na zona norte da cidade de São Paulo. Nessa terra dos papéis, o papel que me coube mais de trinta anos depois não foi nada fácil, encerrar sua vida civil, buscando sua certidão de óbito. As três causas: insuficiência cardíaca, ou seja o coração não bombeava o sangue como antes, choque cardiogênico, que é a complicação da condição anterior, quando os orgãos nobres vão ficando sem o devido suprimento de sangue e oxigênio e diabetes mellitus, que ele nunca teve diabete nenhuma, mas que o médico que assinou o atestado deve ter encontrado como explicação ao encontrar a glicose no sangue dele, glicose que ele tomou como soro por estar sem alimentação por três dias, glicose que eu vi ele receber na veia, quando passou mal em minha frente assim que comeu a primeira refeição liberada horas antes de morrer, atendido pela médica da emergência que se identificou como Fernanda. A médica que havia liberado a refeição horas antes dele passar mal, Dra Regina não comentou que ele poderia passar mal na primeira refeição após dias sem alimentação, poderia ter liberado apenas líquido, ter retomado aos poucos, afinal ele havia dado entrada com quadro de obstrução intestinal, que foi esquecida no declaração de óbito. Um obstrução que na minha leiga opinião pode ter sido causada por algum sangramento interno provocado pelo anticoagulante Marevan (Varfarina), que ele não se dava bem desde o início do tratamento em outubro de 2015 no Hospital Dante Pazzanese, e que teve a dose suspensa, e depois aumentada no Hospital Santo Antonio da Penha, após uma cirurgia vascular no mês de junho. Outra causa que não aparece é a coagulopatia que ele estava apresentando e que o impedia de ser um candidato a uma cirurgia de intestino caso fosse necessária, porque a única médica que se mostrou mais preocupada me disse que a coagulação do sangue dele estava uma bagunça e na mesa ele poderia não resistir. O sintoma do qual ele se queixava há meses e que não foi esclarecido nos exames que fez por conta própria era a xerostomia, boca seca, que muitos atribuiram como efeito colateral dos remédios de uso contínuo para o coração. O médico que assina atestado olha e atribui causas em cima do que ele encontra feito, o sangue está cheio de açúcar, escreve aí que ele tinha diabetes, pronto. Seja lá qual tenha sido a causa ele se cuidava, infelizmente não conseguiu descobrir a tempo de reverter... Uma folha colorida em papel moeda, fundo amarelo, bordas azuis, a bandeira nacional ao fundo. Uma folha nova, ainda sem nenhuma dobra e de certa forma pesada como se fosse feita de chumbo.
O sentimento que fica é fazer valer a pena a vida cotidiana entre uma certidão e outra da vida civil, qual é o papel que você quer viver, quais as folhas você precisa reescrever, quais folhas não fazem mais sentido, quais papeis preciso encontrar nesse momento, quais são as pessoas que quero ao meu lado quando assino novos papeis...

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Analisando uma barraca de pastel na 'crise'

Vocês já repararam que existem novos sabores de pasteis? 
Não sei se isso tem ou não a ver com a crise, mas eu só me dei conta de um tempo para cá. 
Já vi Escondidinho, Strogonoff, para quem sofria decidindo entre carne OU queijo, agora existe o Carne COM Queijo rs. 
Ok cinco reais num pastel é foda, então para desembolsar uma notinha roxa o recheio tem que ser pesado e valer muito a pena, todas as penas da garça branca grande que ilustra a segunda cédula de menor valor do nosso rico dinheirinho. 
As últimas vezes que comprei pastel fui mais motivada pela curiosidade do que pela fome! 
Talvez a lição da barraca de pastel hoje seja a diversificação, o fazer diferente, o sabor novo que vai impulsionar as compras! 
Os pasteleiros encarando a crise como oportunidade de vendas. 
Eu encarando a crise como oportunidade de tecer análises de varejo!
Outra análise sobre barracas de pastel é que com o passar das horas e das vendas, os atendentes das barracas de pastel vão retirando as plaquinhas dos sabores que esgotaram. 
Mas sempre chega alguém e pergunta "tem de quê"? 
A atendente aponta para as plaquinhas e diz "Temos esses sabores aqui". 
Tem gente que lê e pergunta de novo sobre um sabor não listado nas placas... 
Quem trabalha com atendimento tem que ter muita paciência para lidar com o que parece óbvio! 
Além de estar preparado para responder muitas vezes as mesmas perguntas

quinta-feira, 30 de junho de 2016

SEM TEMER, sem chorar

O refrão de uma música da minha adolescência na Pastoral da Juventude reapareceu na minha mente ressignificado:
"Sem cessar, sem parar, sem vacilar, SEM TEMER, sem chorar". É o refrão de quem segue lutando contra o golpe em andamento a essa jovem democracia...
Faz dias que esse refrão rondava minhas ideias mas foi nesta manhã que compreendi o significado...


Quando alguém dizia "senhoras e senhores" eu completava mentalmente com uma cantiga de pular corda:
Senhoras e senhores ponham a mão no chão.
Senhoras e senhores pulem num pé só.
Senhoras e senhores deem uma rodadinha e vai pro olho da rua...
A maior parte desses deputados e o Cunha mereciam mesmo ir para o olho da rua viu... ‪#‎nãovaitergolpevaitercorda‬

sábado, 14 de maio de 2016

Chineladas fiscais

Meses atrás encontrei uma promoção de chinelos. Encontrei 2 pares diferentes no meu número (algo raro quando se usa 39) levei os dois. O plano era usar um e deixar o outro guardado para reposição, ou para usar para sair. Pois bem comecei pelo primeiro par de chinelo nas cores verde e amarelo, provavelmente sobra da Copa do Mundo de 2014. Mas de um tempo para cá, o excesso de verde e amarelo começou a me irritar profundamente, a ponto de não conseguir mais usá-lo. Assim antecipei o uso do outro chinelo que tem tons de roxo e laranja. Minha irmã passou a usar o chinelo abandonado que ganhou o apelido carinhoso de "chinelo golpista"

quinta-feira, 28 de abril de 2016

SPFW São Paulo "Frio" Week

O termômetro da Av 23 de maio marca 17°C mas a sensação térmica no Parque do Ibirapuera é bem menor. Enquanto as modelos desfilam no São Paulo Fashion Week aquecidas pelos holofotes na Bienal, eu caminho entre pistas, marquise e arvores. Frente fria, costas frias, tudo frio. Lembro da história que a top Gianne Albertoni foi descoberta pedalando no Ibira aos 13 anos quando foi abordada pelo fotógrafo Sérgio Valle Duarte. E hoje quem me descobre no parque é o vento gelado do qual tento me defender com um cachecol na cabeça para cobrir as orelhas com uma elegância digna de SPFW. O terninho Oxford fino e inadequado para a temperatura não dá conta de aquecer a cacharrel de lã. As calças que ficam sempre curtas em pernas longas são um convite permanente para o ar polar congelar as canelas e me lembrar dos pares de polainas cheirosinhas numa gaveta a quilômetros de distância. Daí sou cercada por pessoas correndo de regata e shortinho. Trocamos olhares e seguimos cada um o seu caminho, velocidade e temperatura. Chego no ponto ansiando por um ônibus e um pouco de calor humano. Fiquei mais de meia hora esperando. O calor humano era tamanho que passaram dois ônibus articulados lotados. Entrei no terceiro vazio e até voltei sentada e sem calor humano, cercada de ar condicionado. Na segunda condução também sentada sem calor humano e cercada de ar condicionado.

terça-feira, 1 de março de 2016

Uma pequena parada antes do retorno ao movimento

Para lidar com uma fissura no osso de um dos dedos do pé, ele teve que ser enfaixado, cercado pelos dois dedos mais próximos, para que apoiado por eles, permaneçam os três imobilizados, e a ausência de alguns movimentos ajude tudo a voltar para o seu lugar. O inchaço não permite que o dedo se movimente, então ele tem que se adequar e parar um tempo. E seus vizinhos, mesmo em pleno funcionamento, abrirão "mão" de sua flexibilidade por alguns dias, para ajudá-lo a se recuperar. A faixa restringe a movimentação, e só assim você se dá conta da falta que pequenos movimentos podem fazer, você sente incômodo, mas entende o processo e sabe que é para o seu bem maior. 
Assim vai lidar com isso o tempo necessário para a completa recuperação.
Da mesma forma, algumas vezes também nos sentimos imobilizados em algumas situações da vida. As vezes a mente fica mais focada na falta, do que no efeito esperado. Quando não conseguimos nos mover como desejamos, precisamos aceitar o momento atual, aprender algumas coisas com essa diminuição dos movimentos, passo a passo. Algumas partes nossas também vão parar solidariamente para ajudar uma parte que precisa se recuperar. A gente tem que entender essa "parada" como um momento necessário para manutenção, revisão, reabastecimento, coisas necessárias numa grande viagem numa estrada física, mas também nessa estrada chamada vida. Enquanto não houver aceitação, o processo não evolui. Só a aceitação leva a superação. É nessa parada que podemos rever e replanejar a estrada a ser percorrida. "Compreender a marcha e ir tocando em frente"

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Enquanto uns batiam panelas outros seguiam seu dia em silêncio

Era uma terça feira 23/02 estava no ponto de ônibus por volta das 23:40, estava no final de uma grande fila em frente à uma das saídas da estação Santana do Metrô.
Sentia leves gotinhas de chuva. Quando estas começaram a aumentar a fila começou a se mexer. Segui o fluxo. A fila enorme deu uma volta calmamente e mudou de lugar, seguiu para debaixo da cobertura da estação. Fluiu tão natural, silenciosa, sem ninguém furar fila, se tivesse sido ensaiado não sairia como saiu. Na hora eu fiquei admirada. No fundo a gente sabe a hora de seguir, o que fazer. A gente só precisa se lembrar de sermos um só, de estarmos juntos pelo bem, sem brigas, sem desentendimentos e acusações. Se todo mundo faz a sua parte tudo melhora, desde uma fila de ônibus até o mundo!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Do meu cabelo cuido eu!

Há alguns anos várias mulheres, conscientemente ou não, já soltaram ~dicas~ do que eu ~poderia~ fazer com meu cabelo, sem eu ter perguntado, mas como sou eu que pago cada pote de shampoo, creme, e etc., e sou eu que gasto tempo para cuidar dele, escuto mas não ligo, amo meu cabelo comprido do jeito que ele estiver, com química, sem química, e quanto maior melhor, gosto de comprimento longo! E tenha o cabelo que tiver, sempre tem um estereótipo pronto para ser disparado, no meu caso só tem um: falar que cabelo longo me liga a alguma religião. Falta de criatividade, criem novos estereótipos porque esse já está tão batido! Acho que nem é por maldade que as mulheres falam, mas talvez habituadas a serem enquadradas no certo e errado em tudo, o tempo todo, já reproduzem de forma automática o que escutam sem refletir. Será que eu já disparei algo assim para alguém sem perceber também? Se sim, foi mal me desculpem, assim como eu tenho desculpado quem tem me pentelhado amém! Se o ~cabelão~ me fizesse automaticamente~religiosa~ então eu teria que rezar/orar/vibrar/bater tambor ao invés de mandar para o inferno né? rs sou devota sim, da Santa Ironia!
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