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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Estreia hoje “Coração Vagabundo”, documentário sobre Caetano Veloso, do diretor Fernando Grostein Andrade

Fernando Grostein Andrade esteve num bate papo com a plateia após a exibição de seu documentário no Cine Bombril em 21 de julho de 2009. Atualmente com 28 anos, ele começou o documentário com 23. Nada foi planejado. Tudo começou quando ele enviou “De Morango”, curta metragem, produzido por ele em 2003, para mais de 30 produtores, entre eles, Paula Lavigne. Ela respondeu e o convidou para dirigir o clipe de “Você não me ensinou a te esquecer”, do filme “Lisbela e o Prisioneiro”, depois o DVD “Foreign Sound” da turnê de Caetano Veloso cantando em inglês, cujo making off originou o documentário que exibe a rotina de Caetano durante os shows no Estados Unidos e Japão.

Segundo o jovem diretor, duas situações motivaram o documentário:
“Em São Paulo escutamos a expressão ‘baianada’ para designar uma coisa errada ou cafona. Essa expressão me incomoda, ver algo inédito como a homenagem a Caetano no Carneggie Hall, que exibiu o show dele durante uma semana. Isso é sofisticado, é baianada!”, desabafa Fernando que tenta mostrar que o trabalho do cantor baiano chegou na Ásia e Europa, além da América.

Sobre a contradição que Fernando sentiu no depoimento de Caetano, após a entrevista no programa de Charlie Rose, quando o cantor não se sentiu à vontade porque cresceu em Santo Amaro até os 18 anos e não era de São Paulo, mesmo sendo brasileiro famoso que canta em inglês em uma turnê internacional.

Fernando comentou que, ao mesmo tempo, que a equipe reduzida proporcionou mais intimidade, pois havia no máximo duas câmeras. Os poucos recursos de estrutura fizeram com que ele tivesse dores nas costas e emagrecesse nove quilos na turnê no Japão, porque filmava de costas e nos vôos, muitas vezes sem Caetano perceber.

O documentário passou por 80 cortes até a versão final. Fernando disse que quis fazer “edição democrática”, teve ajuda de Guilherme Wisnik e Giuliano Cedroni para a difícil missão de transformar 57 horas de material bruto em 60 minutos de filme.

Quando questionado sobre a reação de Caetano, que esteve na pré estreia. Fernando disse que as palavras do cantor na mídia foram boas, que ele disse ter curtido, apesar de não gostar de se ver em vídeo. “Não que alguém vá fazer um documentário sobre mim, mas se fizessem eu não estaria presente na estreia como Caetano esteve”, cometa o diretor bem humorado.

Fernando revela que o encontro com Pedro Almodóvar, além de mostrar a força de Caetano na Europa, foi orgulho para ele como estudante de cinema. Almodovar revelou que Paula Lavigne, “barroca e exagerada”, serve de inspiração para criar suas personagens. Ele também explica porque colocou Caetano cantando Cucurrucucu Paloma no filme “Hable con ela”.

Paula Lavigne não queria que fosse exibido o trecho em que o diretor espanhol a elogia, com medo que as pessoas interpretassem que ela queria se promover. Porém, ela e Caetano respeitaram o ponto de vista de Fernando, que manteve o comentário.

Outro diretor de cinema que é mostrado no documentário é o italiano Michelangelo Antonioni. A idéia de mostrá-lo surgiu quando Caetano comentou sobre o filme: “O passageiro”, Fernando entrou em contato com a esposa dele, Enrica, durante 6 meses para convencê-la a deixar que Antonioni que teve derrame e não falava participasse do filme. Ele faleceu em 2007.

Sobre influências, Fernando conta que diretor alemão Wim Wenders influenciou as cenas gravadas nos trens no Japão, Brasil e Estados Unidos, o ambiente do trem onde as pessoas viajam cansadas era em comum entre os países. E a câmera balançando foi motivada pelo documentário “Os Rolling Stones – Gimme Shelter”.

Os projetos futuros de Fernando Grostein são: um longa de ficção sobre a coexistência de árabes e judeus, um DVD de Fafá de Belém cantando Chico Buarque, o roteiro de um filme de ação e outro documentário, que segundo ele “ainda é cedo para falar”.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Resenha do livro: A mulher do próximo – Uma crônica da permissividade americana antes da era da AIDS - Gay Talese, Companhia da Letras, 1980, 483 pág.

O livro retrata a mudança de comportamento da sociedade nos EUA, nas décadas de 60 e 70, em relação ao sexo, moral e censura. Publicado em 1980, nos EUA pelo jornalista norte americano Gay Talese, escritor de destaque do movimento conhecido como “Novo Jornalismo”, que acrescenta técnicas literárias dando mais detalhes e profundidade ao jornalismo. Talese trabalhou 12 anos no jornal “The New York Times”. Detalhista, ele ainda utiliza máquina de escrever e fichas de anotações. Declarou que não confia na internet e é avesso ao gravador. Foi um dos destaques da FLIP- Feira Literária de Paraty, realizada de 1 a 5 de julho de 2009.

A época retratada pelo livro foi o período do pós guerra, quando os homens voltaram para seus empregos anteriores, depois de terem sido substituídos pelas mulheres, que saíram do lar para o mercado de trabalho. Pela primeira vez na história, elas se equipararam aos homens em valores salariais. Outros fatores que contribuíram para o aumento da liberdade sexual foram as descobertas da penicilina e da pílula anticoncepcional.

O livro mistura diversos personagens reais, entre anônimos e famosos, mas o autor não esconde que seus preferidos são os desconhecidos. Ele conta histórias de pessoas comuns convivendo com a sexualidade aberta, o ambiente, os freqüentares, curiosos e/ ou adeptos de nudismo e troca de casais como os casais Bullaro e os Williamson, em locais como Sandstone e Oneida. A biografia da revista Playboy de Hugh Hefner. A luta de grupos religiosos puritanos e editores liberais nos julgamentos e leis sobre pornografia de livros, filmes e revistas. O livro termina com o autor

Em três anos de pesquisa, Talese não havia escrito uma linha sequer. O livro demorou nove anos para ser concluído. O autor foi aos julgamentos, procurou autores liberais, censores retrógrados e representantes puritanos. Fez muitas viagens, entrevistas que foram gravadas e transcritas, algumas repetidas mais de cinqüenta vezes.

Talese teve tempo para obter a confiança e autorização dos personagens para usar suas estórias, seus verdadeiros nomes, e até mesmo ter acesso aos diários, como o de John Bullaro, e os que ele solicitou que as atendentes das casas de massagem escrevessem para que ele delimitasse os tipos de clientes, já que o próprio Talese trabalhou voluntariamente como gerente nesses locais. Algo que ele revela no final do livro, se apresentando como um dos personagens, que tanto se aproximou dos seus objetos de pesquisa. Ele detalha as dificuldades, as muitas críticas recebidas e até a crise em seu casamento com a agente literária Nan Talese.

É uma obra imprescindível não apenas sobre a liberdade sexual, mas também sobre as pessoas e os fatos que propiciaram a redefinição de moral na sociedade americana.

O livro também é uma aula de jornalismo sobre pesquisa, apuração e participação ativa de Gay Talese, que aos 77 anos, pretende escrever o próximo livro sobre os 50 anos de seu casamento a partir das cartas indignadas escritas por sua esposa.

sábado, 11 de julho de 2009

4º Jornalirismo Debate: Jornalismo Cultural

Os jornalistas: Eliane Brum, Pedro Bial, Daniel Piza, Sérgio Vilas Boas e o poeta Allan da Rosa foram os debatedores do "4º Jornalirismo Debate: Jornalismo Cultural", promovido pelo Senac em 26 de maio de 2009, das 19:00 às 22:30, no Senac lapa na Rua Scipião. A entrada era um quilo de alimento não perecível.
Sobre a prática do jornalismo, Eliana Brum declarou:"Duvide das próprias certezas. Ir à rua fazer reportagem é um ato de resistência. Por telefone e email só há pobres palavras. Não podemos ver os olhos, o rosto, a expressão. Tudo é informação! Gesto e silêncio são tão importantes quanto as palavras! Por meio deles, as pessoas continuam dizendo e nos fornecendo informações".
Pedro Bial sugeriu a leitura de livros de jornalismo literário, estilo que mescla no jornalismo técnicas da literatura, trazendo mais profundidade e detalhes ao texto.
Segue a lista:
-A sangue frio, de Truman Capote
-Os sertões, de Euclides da Cunha
-Estação Carandiru, de Dráuzio Varella
-Os Irmãos Karamabloch, de Arnaldo Bloch
-O jornalista e o Assassino, de Janet Malcolm
- As aventura de Tintin, de Hergé
- As revistas: Piauí, New Yorker e Carioca
-O jornalismo em quadrinhos de Joe Sacco
- O trabalho dos jornalistas: Gay Talese, Robert Fisk e Hunter S. Thompson
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