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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Os fatos de 2008 e os excessos da mídia

Ano em que comecei a estudar jornalismo, ano em que pai e madrasta foram acusados de jogar menina Isabella da janela de um edifício em São Paulo, notícia que foi mostrada meses quase como uma minissérie, ano em que seqüestrador foi entrevistado e as cem horas do seqüestro em Santo André foram mostradas como uma novela na qual a jovem Eloá, cujo pai era acusado de assassinatos no estado de Alagoas, foi morta pelo namorado e seus órgãos salvaram sete vidas. Ano em que Barack Obama, primeiro negro eleito presidente nos Estados Unidos, ano que um jornalista não acertou duas tentativas de arremesso de sapato no presidente George W. Bush. No Brasil enchentes vitimaram muitas famílias, houve solidariedade de muitas pessoas e desonestidade no roubo de doações, cenas reais de um supermercado saqueado em Santa Catarina me lembraram cenas do filme: Ensaio sobre a cegueira, de Fernando Meirelles. Ano de eleições para prefeito, ano em que o mercado internacional sofreu uma enorme crise, que repercutiu por aqui em muito desemprego, ano de olimpíadas na China. Ano de lei seca e muitos acidentes pelo excesso de bebida. E os fatos que marcaram tantas vidas que não renderam notícias, audiência? Quantos crimes esquecidos? Quantos exemplos de exagero e interferências negativas a mídia nos deu nesse ano? Definitivamente não é esse tipo de jornalismo que eu quero seguir como telespectadora e muito menos como futura profissional.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Anotações II Seminário Internacional Rumos Jornalismo Cultural. Tema: Novo “novo jornalismo”
















Na foto João Paulo Cuenca (mediador), e Andrew Leland (EUA) e Júlio Villanueva Chang (Peru)

taú Cultural 05/12/2008 –19:30 - Novo “novo jornalismo”

Andrew Leland é jornalista norte-americano, editor-chefe há cinco anos da revista mensal de artes e literatura The Believer, baseada em San Francisco. Também dirige o selo de livros Believer Books, da editora McSweeney's.

João Paulo Cuenca é escritor e colunista do jornal
O Globo. Publicou dois romances, Corpo Presente e Os Dias Mastroianni, e integra coletâneas como B39 - Antologia del Cuento Latinoamericano e Cem Melhores Crônicas Brasileiras.

Julio Villanueva é jornalista e escritor peruano. Fundador da Etiqueta Negra, revista de reportagem, ensaio e ficção, é autor de dois livros e professor visitante de instituições como Harvard, Yale e Universidad de Barcelona.

Andrew Leland, redator chefe fala das características da revista “The Believer”, brinca que apesar do nome (que em português soaria como “o crente”) não é uma publicação religiosa. Ele diz que a publicação possui design diferenciado, não possui fotografias, é ilustrada por Charles Burns, abordagem equilibrada entre cultura erudita e popular, que a empresa e orçamento menores possibilitam que a revista tenha menos anúncios e mais espaço, usado pelos colaboradores, alguns são grandes escritores que usam esse espaço maior para escrever sobre livros e longas entrevistas.
Leland disse que não publica ficção, porque quem lê acredita que é verdade, o máximo de proximidade com a ficção foi um colaborador que fez perguntas e respostas para si mesmo criando uma entrevistadora que não existia.

Julio Villanueva Chang exibe algumas reportagens da revista peruana “Etiqueta Negra” contando como elas surgiram a partir de coisas cotidianas, entre elas:
-Como conocer a la mujer de tu vida em um gimnasio, conta como um homem conheceu a namorada numa academia e sentiu a pressão social pela beleza.
_Miss mundo ya no es de este mundo, reportagem em 2005 sobre a miss mundo peruana, eleita por votos pela internet, telefone e mensagens de texto de celular para narrar a trajetória dela, a equipe esteve na cidade natal da miss e entrevistou pessoas que conviveram com ela, uma novela coletiva que parecia brincadeira, mas foi um árduo trabalho de pesquisa.
-Chita vive, reportagem sobre a macaca Chita, que na verdade é macho e estava sendo maltratada pelo atual dono e não era o macaco mais velho do mundo, como tinha sido noticiado.
- uma agenda contra el olvido, reportagem sobre uma mulher que Julio encontrou num café em Santiago e na hora ela anotou café com Julio, ele curioso perguntou por qual motivo ela anotava o que já estava acontecendo e ela contou que anotava tudo que acontecia com medo do esquecimento que uma familiar dela teve com o mal de Alzheimer, e desde então ela passou a anotar tudo e já havia preenchido 13 agendas, Julio diz com esse exemplo que quando escrevemos usando o “eu” como protagonista não deixa de ser jornalismo, que pode ou não ser usado.
-¿Qué tienen las brasileñas que no tenga yo?, reportagem sobre o mito da beleza das mulheres brasileiras de vários estados do país.
_ El ruso que jamás volvió de Machu Picchu, reportagem sobre turista russo que teria sido partido por um raio, na verdade não foi o raio em si, ele não foi queimado, mas o choque elétrico provocado pela onda expansiva foi fatal, conseguiram alguém que falava russo que ajudou a elaborar a reportagem.
-Una hora y cuarto de sexo oral con la Cicciolina, Julio falou como foi produzida a reportagem com Cicciolina atriz pornô que foi deputada na Itália, trata-la como uma senhora e não como atriz de filme pornô, conversas por messenger, informações sobre a Itália, transcrição completa com notas de rodapé renderam 19 páginas de pergunta e resposta de material a ser editado.
Júlio fala da pirâmide invertida, curiosidade das pessoas, protagonismo do autor, o acesso para quem quer falar, as onomatopéias, cena por cena.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Anotações sobre o Tema Blog no II Seminário Internacional Rumos Jornalismo Cultural

Na foto Tiago Dória, Fábio Malini e António Granado
O II Seminário Internacional Rumos Jornalismo Cultural, realizado no Itaú Cultural em São Paulo de 03 a 05 de dezembro de 2008 04/12/2008 – 19:30 - Palavras Cruzadas - António Granado, Fábio Malini e Thiago Dória (mediador) Abaixo seguem as transcrições dos rascunhos feitos por mim durante o evento, acrescidos dos links que pesquisei depois Mini currículo dos participantes António Granado é jornalista português, mestre em jornalismo científico pela Boston University (EUA) e doutor em comunicação pela Leeds University (Inglaterra). É chefe de redação do diário português Público e edita o blog Ponto Media. Fábio Malini é jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em Vitória. Mestre em Ciência da Informação e doutor em Comunicação e Cultura, é membro do comitê editorial da Revista Global Brasil. Tiago Dória é jornalista e consultor de mídia. Desde 2003 edita um blog sobre cultura web e tecnologia, atualmente ancorado no portal iG. Em 2007 seu blog foi eleito um dos melhores na língua portuguesa pelo site Portugal Diário, de Lisboa.
Tiago Dória é blogueiro desde 2003, disse que 2008 era o ano dos blogs no Brasil, como exemplo ele informou que os blogs fizeram as coberturas mais rápidas da recente tragédia em Santa Catarina, que blog será tema de uma novela da Rede Globo. Houve a participação por telefone da blogueira cubana Yoani Sánchez, que participaria do debate pessoalmente, e foi impedida de sair de Cuba, desde março desse ano o blog dela foi filtrado pelo governo cubano para que não pode ser lido no país, ela ganhou o prêmio Ortega e Gasset. Yoani disse que não foi incentivada pelos prêmios que ganhou, mas que esses prêmios melhoram o reconhecimento do blog que ela escreve como uma forma de exorcismo pessoal para contar o que a televisão e os jornais não contam, impossibilitada de sair de Cuba, Yoani conta a ajuda de amigos fora de Cuba para publicar as postagens no blog que ela envia por e-mail e mandam para ela também por e-mail os comentários recebidos no blog, pois em Cuba não há internet doméstica, apenas em hotéis e em dois cafés na cidade de Havana, além do mais a conexão é muito cara. Ela contou que em Cuba existem cerca de 12 blogs embriões que enfrentam os mesmos problemas que ela, ela acredita que quanto mais blogs, haverá mais força e proteção. O jornalista português António Granado, blogueiro desde 2001, diz que assim como existem jornais que não lemos, existem os blogs que também não lemos. Ele aponta alguns problemas como: -Descrença e o fato de alguns leitores não lerem jornais; -O fato de algumas publicações estarem afundando; -Existem alguns “dinossauros” nas redações - Os meios de comunicação de massa querem poupar dinheiro. A participação do público que, para alguns, é um problema, para António é essencial essa interação, segundo ele também há necessidade de melhorar a relação entre os jornalistas e o público. António também aponta algumas tendências para o futuro: - Dificuldade para atrair usuários para as mídias tradicionais; - Migração de órgãos de comunicação social para formato web; - Mais informação vinda da audiência; -As comunidades em volta dos meios de comunicação de massa; - Novos profissionais dominam a linguagem multimídia; -Jornalistas serão cada vez mais mediadores; O jornalista e professor Fábio Malini fez a apresentação Digito, logo reporto. Ele inicia a apresentação com uma frase de um herdeiro de McLuhan: o canadense Derrick de Kerkove – “Não creio que seja uma exibição de eu, mas antes a relação com os outros”. Fábio diz que os blogs foram o 3º grande momento da internet, ela que começou como um projeto de resistência, descentralizada, anônima, os blogs surgiram como uma cultura da ação direta sem a mediação clássica da imprensa. Ele descreve algumas características do blog: -ININTERRUPTO, não é periódico como os jornais; -AUTORAL, pode ser coletivo, individual, pretende ser autoral, independente do formato possui dimensão subjetiva; -CONVERSACIONAL, o povoamento na internet de e-mails, comunidades virtuais, espaço entre blogueiros e audiência, a mediação se dilui e o processo ganha alma; -PRODUTOR DE INTIMIDADES, entre o autor e o leitor, as pessoas se projetam no que lêem, vai além do público e privado; -LIDO EM PEQUENOS MUNDOS, lógica de bandos dispersos, conjuntos; -INCLASSIFICÁVEL, tanto o tom como o tema, como classificar um blog se posso escrever vários tipos de texto? EVOLUÇÃO DOS BLOGS Em 1997, quando foram criados consistiam em link e pequeno comentário, o link é a alma do blogueiro e serve para classificar o mar infinito disponível na internet, atuando como uma espécie de filtro de informações. A capacidade cognitiva do autor é um capital não reproduzível por meio da tecnologia, lembra a idéia de Karl Marx sobre General Intellect (intelecto geral), Steve jobs teria classificado como pessoas inteligentes que dispõem de tempo ocioso. Em 1999, com o surgimento da plataforma blogger, um sistema automático que facilitou o acesso, anteriormente se fazia necessário entender de HTML, o blogger impulsionou uma nova linguagem: o diário on line, que possibilita escrita de pensamentos ou observações, tanto que muitas pessoas não se sentem inclinadas a criar um link e escrever algo em tono dele, como era em 1997 quando os blogs surgiram. Em 2001, com os ataques terroristas em 11 de setembro, o site slashdot bateu o recorde em número de acessos, quando os portais das grandes emissoras de televisão e agências noticiosas tradicionais estavam lentos pelo excessivo número de acessos ou fora do ar. Assim, houve um reforço na capacidade dos blogs reproduzirem um acontecimento, alargou um campo jornalístico, no qual os blogueiros são os narradores, a produção amadora de notícias, surgiram blogs militares, blogs de guerra, um exemplo é o http://www.back-to-iraq.com/ e blogs de civis como o de uma jovem iraquiana o http://riverbendblog.blogspot.com/. Fábio Malini usou ferramentas gratuitas como o Technorati e Blogpulse para mostrar os temas que atraem forte fluxo de informação nos blogs, mostrou que houveram 467 posts sobre o estado de Santa Catarina, que recentemente passou por uma tragédia, a blogosfera aparece solidária e atuante, um exemplo é o blog Notícias de Blumenau.Essas pesquisas mostraram que sexo era o assunto mais buscado, porém possui um número inferior de publicações em comparação aos temas literatura e arte. Música apareceu como principal tema da agenda da blogosfera em língua portuguesa. A pesquisa em inglês com as palavras: música, filme e livro teve como resultado que os blogueiros se interessam por música, e que a telvisão é menos debatida que livros. Em língua portuguesa o blogueiro prefere opinião, blogs não só reproduzem notícias.Os blogs diferentemente do jornalismo não pretendem exaurir um assunto, eles levam leitores para outras fontes numa cadeia coletiva e hipertextual de conteúdo, importam temas de outros blogs. A reputação e / ou autoridade de um blog é em boa parte resultado da quantidade de ligações (links) que um blog recebe. O professor falou dos memes, que são post criados com uma idéia para fazer com que outras pessoas escrevam sobre esse mesmo assunto dando seu ponto de vista. Ele expôs a polêmica de uma blogueira no Amapá que, em 2006, criou a campanha Xô Sarney e teve o blog retirado do ar pelo uol e mudou para outra plataforma, o caso virou notícia.Tiago Dória, mediador da mesa, questiona os participantes sobre o fato do New York Times, que era tão resistente, ter quebrado o tabu da concorrência ao abrir o site para links externos, oferece um serviço e tenta mostrar que não teme a concorrência, algo que Tiago colocou em seu blog. Fábio Malini lembrou de uma revolta estudantil no Chile, na qual os estudantes difundiram a revolta de forma particular por meio de fotologs, que foram usados como dispositivos imediatos de ação política, ele escreveu sobre esse assunto em seu blog, ele também falou de um caso ocorrido em 2006, quando vários veículos de imprensa processaram o google news na Bélgica por veicular links externos.
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