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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Memórias do desemprego...

Em 2008 estive desempregada por dois meses e meio, mas para mim pareceu uma eternidade, na qual me deparei com todo tipo de sentimento e percepções sobre o mundo e as pessoas.
No começo eu estava alegre de ter saído de um lugar que eu não estava me sentindo bem para buscar uma oportunidade de atuar na área da minha faculdade de secretariado, que cursei em três anos suados com bolsa, estágio e trabalho aos finais de semana.
Entretanto, o tempo foi passando, e me mostrou que entrar na área seria mais difícil do que eu imaginava, eu só tinha experiência como estagiária.
Além de procurar vagas na minha última colocação como auxiliar administrativo, buscava vagas de secretária e passei a buscar também estágio no curso de jornalismo, algo que não é fácil de se conseguir no segundo semestre de curso...
Independente da vaga, a busca e as entrevistas eram quase todas iguais, passei por mais de 26, sem contar as que deram em duas ou mais fases...
Já tinha uma redação pronta sobre minhas experiências profissionais, já estava íntima dos testes de personalidade como o Quati, dinâmicas de grupo, preenchimento de enormes fichas, acordar cedo, andar pelas ruas do centro de São Paulo distribuindo currículos em várias agências, em vários andares, em vários prédios, almoçando algum salgado da rua, contando trocados para as conduções e tempo nas lans houses enviando currículos...
Paguei um site conhecido no qual me candidatei para vagas furadas: uma delas era uma empresa de fundo de quintal, cujo chefe não era brasileiro, e me atendeu de chinelo e meia...
Outro dia estava aguardando a seleção para uma vaga que era não era muito boa, comecei a conversar com uma menina simples, ela tinha acabado de sair de uma metalúrgica, ao sermos questionados se queríamos desistir da seleção, ao ver essa moça desistir eu também desisti, pois se ela se achava capaz para algo melhor eu poderia pensar assim também! Esse monte de testes tinha levado minha auto estima ao chão!
Outra roubada foi uma "entrevista" longe de casa, fui para o local para saber sobre as atribuições da vaga e a remuneração, porém fui colocada numa sala com duas candidatas mais jovens e simples, eu que era formada, nos pediram para ler e falar destrava línguas, aquilo foi a gota de água para mim, com um diploma de curso superior mafagafar mafagafos em busca de uma vaga, que nem era para uma pessoa formada!
Saí de lá sem saber nada sobre a vaga, pensando na desconsideração que existe pelos desempregados, que gastam conduções para procurar uma vaga, e não para serem tratados como idiotas.
Outra situação constrangedora é aguardar as prometidas ligações de retorno após uma entrevista, a maioria mentiu dizendo que ligaria, foram poucas verdadeiras que abriram o jogo dizendo que só entrariam em contato com os aprovados.
Essa dificuldade toda foi antes de explodir essa crise mundial, imagine só procurar emprego agora...

Um comentário:

MARCELO disse...

Line,

Me identifiquei com várias situações descritas no seu texto, passei por algumas idênticas.

A propósito, barabéns você escreve muito bem.

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