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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Aldeia Indígena Guarani Krukutu recebe visitas pré-agendadas



Acima Luiz Carlos Karai e abaixo Olívio Jekupê

A Associação Guarani Nhe´ê Porá viabiliza vários projetos com objetivo de manter a sustentabilidade da aldeia. Um deles é a organização das visitas que podem mostrar: canto, dança, culinária, trilhas, palestras, e principalmente comprovar que a Cultura Guarani resiste, mesmo com dificuldade de manter atividades tradicionais de caça e plantio no mundo moderno.
Olívio Jekupê e Luiz Carlos Karai Rodrigues, respectivamente Presidente e Secretário da associação recebem os visitantes. Ambos são escritores. Olívio é autor dos livros: Leópolis Inesquecível, 500 anos de angústia, O saci verdadeiro, Iarandu o cão falante, Xerekó arandu a morte de Kretã, Arandu Ymanguaré (Sabedoria Antiga), Literatura escrita pelos povos indígenas e Indiografie, que lançado na Itália. Luiz é autor do livro "Massacre Indígena Guarani".
Os livros, junto com o artesanato que eles produzem, são vendidos na sede da associação dentro da aldeia e ajudam a geração de renda. Olívio e Luiz Carlos Karai possuem blogs, e também saem da aldeia para fazer palestras em diversos locais.
Em uma das visitas, Olívio falou sobre vários temas, entre eles, preservação ambiental. “Se ainda há 11% do total da floresta que havia no Brasil é por causa das aldeias e reservas. Dizem que índio não faz nada, índio não produz. Nós produzimos o que é mais importante: água e oxigênio, por não destruirmos a mata!”, declarou.
Olívio, sempre com muito bom humor alertou “Índio não é caminhão de melancia que é tudo igual, tem diferenças de língua, artesanato, cultura. Nós da etnia Guarani somos cerca de 40 mil. Há etnias menores de até 100 pessoas”.
Passado e presente convivem lado a lado: a Associação Guarani Nhe´ê Porá possui um computador e um orelhão público em frente, o Centro de Educação e Cultura Indígena (CECI), um posto de saúde e a casa de reza feita de taipa em pau a pique.
Não há músicas, autores e atores indígenas nas paradas de sucesso, e quando são representados pelos brancos sempre há uma dose de preconceito por parte da mídia. Olívio alertou que filmes como “Caramuru - A Invenção do Brasil”, retratam índios como preguiçosos. “O sistema faz o branco trabalhar muito, ele quer diminuir horas de trabalho. No fundo o homem branco gostaria de viver como o índio!”, completa.
O protagonismo dos índios escritores ajuda a mostrar outro lado da história, além da versão contada pelos brancos há mais de 500 anos. É importante que sua cultura, que sempre foi passada oralmente, hoje possa ser escrita, gravada e fotografada, para aumentar seu alcance e a duração.
Serviço:
Para agendar uma visita clique aqui
Ou ligue (0xx11) 5977-0025
Para ver mais fotos da aldeia visitada clique aqui

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