Há 14 anos
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
Presentes de natal nos correios
Fui colocar uma caixa no Correio e pela primeira vez observei as cartinhas de natal em uma agência da região central de SP. Percebi que muitas delas pedem mais que um presente, algumas colocam duas opções tipo um "tablet" ou uma "roupa", uma "bicicleta" ou um "calçado". Muitos querem patins, bicicletas, celulares e tablets. Eu até pensei em pegar uma, mas os pedidos estão altos demais para uma pessoa desempregada. Eu mesma não tenho um tablet, nem patins, nem bicicleta kkk... Mas olhei as cartas de novo, acabei escolhendo uma cartinha de uma menina de 9 anos que vai ganhar brinquedos, que são a terceira opção depois da bicicleta e dos patins. Ela quer algo da Moranguinho. Ela disse que o natal é divertido mesmo sem presente!
terça-feira, 15 de novembro de 2016
15 de novembro de 2016
Hoje meu pai completaria 66 anos, mas dia 13 agora completou quatro meses de sua morte.
Faz parte de quem eu sou "contar" o tempo que passou, contar numericamente, contar a jornada que passei no correr dos dias. (Jornal vem do latim 'diurnalis' - diário. Jornada vem de dia, o que acontece em um dia)
Hoje é seu primeiro aniversário sem você por aqui. Estou pensando se esse feriado vai ser como o Natal. Um aniversário sem aniversariante, no qual a parcela da humanidade criada na cultura cristã pensa no que a vida do aniversariante fez pela vida delas. No meu caso seria um feriado restrito a quem viveu e conheceu meu pai terreno rs, pensar o que a vida dele influenciou a vida de quem o conheceu. Para mim o 15/11 junto com o 04/04 de minha mãe resultaram no meu 23/05. É mais um dia para lembrar do barulho da chave dele pendurada no passante das calças de alfaiataria, que chamamos de calças "sociais", como se outras calças fossem "anti-sociais" rs. É dia de lembrar de quando eu estava com a chave na mão saindo de casa e ele dizia "olha, escuta" e dizia ou pedia algo antes que eu saísse. E eu me irritava por estar atrasada, hoje não tem mais você aqui, descobri que o verdadeiro incômodo é o silêncio da ausência. Engraçado que sua profissão fosse porteiro e tantas lembranças suas envolvam portas e chaves rs. Mas para mudar um pouco o assunto, lembro também que ele já me chamou de "rainha da teimosia" e querer hoje ter essa teimosia, não mais de um modo infantil, mas uma persistência de recomeçar e continuar batendo em portas, procurando chaves, janelas e novas portas na minha vida. Obrigada pai por todas as portas que abriu para mim!
Faz parte de quem eu sou "contar" o tempo que passou, contar numericamente, contar a jornada que passei no correr dos dias. (Jornal vem do latim 'diurnalis' - diário. Jornada vem de dia, o que acontece em um dia)
Hoje é seu primeiro aniversário sem você por aqui. Estou pensando se esse feriado vai ser como o Natal. Um aniversário sem aniversariante, no qual a parcela da humanidade criada na cultura cristã pensa no que a vida do aniversariante fez pela vida delas. No meu caso seria um feriado restrito a quem viveu e conheceu meu pai terreno rs, pensar o que a vida dele influenciou a vida de quem o conheceu. Para mim o 15/11 junto com o 04/04 de minha mãe resultaram no meu 23/05. É mais um dia para lembrar do barulho da chave dele pendurada no passante das calças de alfaiataria, que chamamos de calças "sociais", como se outras calças fossem "anti-sociais" rs. É dia de lembrar de quando eu estava com a chave na mão saindo de casa e ele dizia "olha, escuta" e dizia ou pedia algo antes que eu saísse. E eu me irritava por estar atrasada, hoje não tem mais você aqui, descobri que o verdadeiro incômodo é o silêncio da ausência. Engraçado que sua profissão fosse porteiro e tantas lembranças suas envolvam portas e chaves rs. Mas para mudar um pouco o assunto, lembro também que ele já me chamou de "rainha da teimosia" e querer hoje ter essa teimosia, não mais de um modo infantil, mas uma persistência de recomeçar e continuar batendo em portas, procurando chaves, janelas e novas portas na minha vida. Obrigada pai por todas as portas que abriu para mim!
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
A porta e o parafuso
Um dia estava numa casa. Usei o banheiro dessa casa algumas vezes. De repente a porta que fechava normalmente travou e não encostava no batente para fechar. "Deve ser um problema na porta", pensei. Olhei as dobradiças da porta, não vi nada de anormal. Decidi chamar um morador da casa para mostrar o que aconteceu. Quem sabe não fosse a primeira vez. O morador tentou mover a porta sem sucesso, mas ao invés de olhar a dobradiça da porta como eu fiz, ele foi por outro caminho. Ele olhou para o chão. E no pequeno vão entre o chão e a porta ele encontrou um parafuso bem pequeno, que mal dava para enxergar. Assim que ele tirou esse parafuso do chão, a porta voltou a fechar normalmente. Um pequeno parafuso bem menor que a porta não permitia que ela fechasse.
Talvez a vida, quando não flui naturalmente, seja como essa porta travada, as vezes a gente acha que o problema é a porta, está na porta, mas as vezes o problema só está muito perto dela, a ponto de parecerem uma coisa só. É infinitamente menor que ela em tamanho, mas pode comprometer completamente seu movimento. Talvez você precise de ajuda para encontrar o parafusinho que travou sua porta... Lembrei aquela frase que apertar um parafuso não custa nada, mas o valor do trabalho está em saber qual é o parafuso certo que deve ser apertado...
Talvez a vida, quando não flui naturalmente, seja como essa porta travada, as vezes a gente acha que o problema é a porta, está na porta, mas as vezes o problema só está muito perto dela, a ponto de parecerem uma coisa só. É infinitamente menor que ela em tamanho, mas pode comprometer completamente seu movimento. Talvez você precise de ajuda para encontrar o parafusinho que travou sua porta... Lembrei aquela frase que apertar um parafuso não custa nada, mas o valor do trabalho está em saber qual é o parafuso certo que deve ser apertado...
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
Correnteza da vida levando aqueles que amamos...
A ficção e a vida se cruzam o tempo todo. Dias após a morte do meu pai eu assistia a quase morte do personagem Santo dos Anjos, nordestino trabalhador com duas filhas assim como meu pai. E aquilo mexia muito comigo. Tereza, a mulher que o amava buscava por ele para trazê-lo de volta a vida. A personagem de Camila Pitanga, que ontem por duas vezes tentou e não conseguiu segurar o parceiro de cena pelas mãos. Tereza trouxe Santo de volta a vida, mas Camila não conseguiu salvar Domingos. A gente lembra do momento que segura a mão de alguém querido num hospital e não pode impedir a partida dessa pessoa. As mãos não se alcançam, as vezes se alcançam, mas um dia tem que se soltar uma da outra... É a correnteza da vida, é a correnteza dos rios, levando e trazendo as pessoas que a gente ama.
O cenário da novela, o Rio São Francisco que atravessa o estado de Alagoas onde meus pais nasceram. E entre Alagoas e Sergipe na tarde de ontem se encerrou a vida do ator Domingos Montagner, casado, pais de três filhos. A vida de Domingos e de Santo se fundiram.
Os índios que contracenaram com ele disseram: "Por que estão querendo trazer a alma dele de volta? Ele nasceu de novo hoje. Ele se tornou um novo protetor do rio São Francisco, que estava tão esquecido. Porque esse rio não pode morrer. A novela contou todos os mistérios do rio e esse é mais um deles. Mas ele se tornou um ser de luz, pois a água não tira a vida, ela dá a vida. Fiquem felizes pela alma dele, pois quando ele entrou no rio se despediu do corpo e alma, nasceu em um mundo melhor. Algum dia os brancos irão entender isso. Então, temos que fazer um ritual para que os brancos entendam e sejam fortes, pois ele está bem, Ele agora é um protetor do rio São Francisco"
O cenário da novela, o Rio São Francisco que atravessa o estado de Alagoas onde meus pais nasceram. E entre Alagoas e Sergipe na tarde de ontem se encerrou a vida do ator Domingos Montagner, casado, pais de três filhos. A vida de Domingos e de Santo se fundiram.
Os índios que contracenaram com ele disseram: "Por que estão querendo trazer a alma dele de volta? Ele nasceu de novo hoje. Ele se tornou um novo protetor do rio São Francisco, que estava tão esquecido. Porque esse rio não pode morrer. A novela contou todos os mistérios do rio e esse é mais um deles. Mas ele se tornou um ser de luz, pois a água não tira a vida, ela dá a vida. Fiquem felizes pela alma dele, pois quando ele entrou no rio se despediu do corpo e alma, nasceu em um mundo melhor. Algum dia os brancos irão entender isso. Então, temos que fazer um ritual para que os brancos entendam e sejam fortes, pois ele está bem, Ele agora é um protetor do rio São Francisco"
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
Jogos Olímpicos Eleitorais
Começou a edição dos Jogos Olímpicos Eleitorais com as seguintes modalidades:
-levantamento de copo americano de café em padarias do centro e das quebradas
-degustação de iguarias periféricas como pasteis, pão na chapa e congêneres
-levantamento de crianças pobres em poses para fotos
-arremesso de santinhos em casas e comércios
-boxe e luta livre e luta greco romana entre adversários políticos
-ping pond de acusações entre candidatos nos debates políticos
-nado sincronizado com aliados políticos
-ginástica olímpica na interação com eleitores nas ruas
-canoagem remando contra as marés sociais
-hipismo com a cavalaria da polícia
-tiro ao alvo, tiro, porrada e bomba, tiro todos os seus direitos
-esgrima alfinetando adversários com boatos
-taekondo tá é com dor de tanto fingir sorrisos
-velas acesas para todos os santos
-corrida para todos os canais de televisão
-basquete jogando na cesta do lixo as reclamações da população
-500 metros rasos de caminhadas em periferias diversas
-revezamento 4 por 100, a cada quatro anos as mesmas "cem"vergonhices
-marotona de discursos de promessas
-triatlon: discurso, levantamento de copo americano e de crianças
-pentatlo: selfies, apertos de mãos, discurso, levantamento de copo americano e de criancinhas
-levantamento de copo americano de café em padarias do centro e das quebradas
-degustação de iguarias periféricas como pasteis, pão na chapa e congêneres
-levantamento de crianças pobres em poses para fotos
-arremesso de santinhos em casas e comércios
-boxe e luta livre e luta greco romana entre adversários políticos
-ping pond de acusações entre candidatos nos debates políticos
-nado sincronizado com aliados políticos
-ginástica olímpica na interação com eleitores nas ruas
-canoagem remando contra as marés sociais
-hipismo com a cavalaria da polícia
-tiro ao alvo, tiro, porrada e bomba, tiro todos os seus direitos
-esgrima alfinetando adversários com boatos
-taekondo tá é com dor de tanto fingir sorrisos
-velas acesas para todos os santos
-corrida para todos os canais de televisão
-basquete jogando na cesta do lixo as reclamações da população
-500 metros rasos de caminhadas em periferias diversas
-revezamento 4 por 100, a cada quatro anos as mesmas "cem"vergonhices
-marotona de discursos de promessas
-triatlon: discurso, levantamento de copo americano e de crianças
-pentatlo: selfies, apertos de mãos, discurso, levantamento de copo americano e de criancinhas
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
Balanço sobre as primeiras Olimpíadas realizadas no Brasil em 2016
Pela primeira vez as Olímpíadas foram realizadas no Brasil. E pela primeira vez como dona do meu tempo, no sofá de casa assisti mais jogos e competições, de diversas modalidades esportivas. Vi a rapidez e o carisma de Bolt, a concentração e humanidade do Phelps. Ambos não tem mais o que conquistar e dizem estar em sua última competição dos jogos olímpicos. Encerrando a carreira no Rio.
Novos nomes surgindo. Mais nomes mais conhecidos se aposentando de vários países... Uma cidade que por 17 dias foi mais reconhecida por seu calor humano do que por seus maiores problemas. Um país reconhecendo suas capacidades num momento de dificuldade
O Brasil é um país jovem que recebeu sua primeira edição dos jogos olímpicos. Tão jovem que talvez ainda seja da turma do fundão, aquele que faz bagunça na aula, que vaia os coleguinhas
Independente das vaias a gente descobre outro grande fator além do preparo físico, o preparo emocional. Ele pode explicar vitórias em meio as vaias e derrotas em meio aos gritos de incentivo. A torcida influenciou bastante mas não foi o que decidiu nenhuma das competições. Pelo fator torcida o Brasil teria ficado com todos os ouros
Vitórias depois de tantas derrotas, como o Rodrigo Hypólito. Derrotas depois de tantas vitórias, como as meninas do volei de quadra feminino. Cada edição é só um trecho da história, que teve seus precedentes nas edições anteriores e que terá continuação nas próximas edições...
Tecnologias que permitem desafiar os oponentes com imagens do jogo. Celulares que fizeram shows de luzes e selfies nas arenas até o desfile final.
E quando acabou teve "ah"
Ganhar, perder, viver
Novos nomes surgindo. Mais nomes mais conhecidos se aposentando de vários países... Uma cidade que por 17 dias foi mais reconhecida por seu calor humano do que por seus maiores problemas. Um país reconhecendo suas capacidades num momento de dificuldade
O Brasil é um país jovem que recebeu sua primeira edição dos jogos olímpicos. Tão jovem que talvez ainda seja da turma do fundão, aquele que faz bagunça na aula, que vaia os coleguinhas
Independente das vaias a gente descobre outro grande fator além do preparo físico, o preparo emocional. Ele pode explicar vitórias em meio as vaias e derrotas em meio aos gritos de incentivo. A torcida influenciou bastante mas não foi o que decidiu nenhuma das competições. Pelo fator torcida o Brasil teria ficado com todos os ouros
Vitórias depois de tantas derrotas, como o Rodrigo Hypólito. Derrotas depois de tantas vitórias, como as meninas do volei de quadra feminino. Cada edição é só um trecho da história, que teve seus precedentes nas edições anteriores e que terá continuação nas próximas edições...
Tecnologias que permitem desafiar os oponentes com imagens do jogo. Celulares que fizeram shows de luzes e selfies nas arenas até o desfile final.
E quando acabou teve "ah"
Ganhar, perder, viver
domingo, 14 de agosto de 2016
Uma carta para o meu pai no 1º dia dos pais sem ele
Essa carta foi atendendo uma sugestão da página Vamos falar sobre o luto? #umaboanotícia
Pai esse primeiro mês sem a sua presença física não foi nada fácil. O primeiro dia dos pais sem você. Tudo tão rápido, tão inesperado! E sem você há um silêncio, a gente tem que aprender a continuar se virando, mais do que isso aprender a ver, ouvir, sentir você em tudo, sem você estar aqui. Assumir responsabilidades, mas mantendo cada um no seu lugar. Acreditar que levaremos seus ensinamentos no dia a dia, e no coração por toda a vida.
Me disseram que esse pode ser o melhor ano da minha vida, mas eu ainda não acredito que será meu melhor ano por ter sido também o ano da sua partida! Espero que você nos veja crescendo onde estiver.
Quem dera eu tivesse mais boas notícias para te dar agora. No momento a boa notícia é que estamos seguindo, dia a dia. Há muito o que fazer ainda. Cada um leva do seu jeito. Há uma certa solidão nisso. A cada momento uma escolha pela vida, seja numa atitude, seja num alimento. Eu penso no que aprendi e no que ainda vou aprender.
Agradeço porque a palavra pai tem um significado bonito e significativo graças a tudo que você fez por nós, em 34 anos de casamento com a minha mãe, nos meus 33 e nos 29 da Ariane. Ter tido um pai é um privilégio, quando muitos nunca tiveram amor, carinho, atenção, sequer o básico como um sobrenome e reconhecimento.
Outras pessoas que enfrentam a perda de um pai me mostraram que não importa quanto tempo passe, todo mundo sente uma vontade de feito mais, por não saber, por esquecer que a vida passa tão rápido. Todo mundo que pergunta de você não acredita que você não está mais aqui. Dias atrás eu lembrei que você me levou ao ponto de ônibus, segurou minha mala e me deu um abraço quando saí para um curso fora. Esses dias voltei a sair para aprender e reaprender coisas, agora eu não tenho mais novos abraços seus. Tenho que reviver os que já tive, mas tenho abraços suficientes para relembrar dentro do meu coração...
Pai esse primeiro mês sem a sua presença física não foi nada fácil. O primeiro dia dos pais sem você. Tudo tão rápido, tão inesperado! E sem você há um silêncio, a gente tem que aprender a continuar se virando, mais do que isso aprender a ver, ouvir, sentir você em tudo, sem você estar aqui. Assumir responsabilidades, mas mantendo cada um no seu lugar. Acreditar que levaremos seus ensinamentos no dia a dia, e no coração por toda a vida.
Me disseram que esse pode ser o melhor ano da minha vida, mas eu ainda não acredito que será meu melhor ano por ter sido também o ano da sua partida! Espero que você nos veja crescendo onde estiver.
Quem dera eu tivesse mais boas notícias para te dar agora. No momento a boa notícia é que estamos seguindo, dia a dia. Há muito o que fazer ainda. Cada um leva do seu jeito. Há uma certa solidão nisso. A cada momento uma escolha pela vida, seja numa atitude, seja num alimento. Eu penso no que aprendi e no que ainda vou aprender.
Agradeço porque a palavra pai tem um significado bonito e significativo graças a tudo que você fez por nós, em 34 anos de casamento com a minha mãe, nos meus 33 e nos 29 da Ariane. Ter tido um pai é um privilégio, quando muitos nunca tiveram amor, carinho, atenção, sequer o básico como um sobrenome e reconhecimento.
Outras pessoas que enfrentam a perda de um pai me mostraram que não importa quanto tempo passe, todo mundo sente uma vontade de feito mais, por não saber, por esquecer que a vida passa tão rápido. Todo mundo que pergunta de você não acredita que você não está mais aqui. Dias atrás eu lembrei que você me levou ao ponto de ônibus, segurou minha mala e me deu um abraço quando saí para um curso fora. Esses dias voltei a sair para aprender e reaprender coisas, agora eu não tenho mais novos abraços seus. Tenho que reviver os que já tive, mas tenho abraços suficientes para relembrar dentro do meu coração...
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