Para lidar com uma fissura no osso de um dos dedos do pé, ele teve que ser enfaixado, cercado pelos dois dedos mais próximos, para que apoiado por eles, permaneçam os três imobilizados, e a ausência de alguns movimentos ajude tudo a voltar para o seu lugar. O inchaço não permite que o dedo se movimente, então ele tem que se adequar e parar um tempo. E seus vizinhos, mesmo em pleno funcionamento, abrirão "mão" de sua flexibilidade por alguns dias, para ajudá-lo a se recuperar. A faixa restringe a movimentação, e só assim você se dá conta da falta que pequenos movimentos podem fazer, você sente incômodo, mas entende o processo e sabe que é para o seu bem maior.
Assim vai lidar com isso o tempo necessário para a completa recuperação.
Da mesma forma, algumas vezes também nos sentimos imobilizados em algumas situações da vida. As vezes a mente fica mais focada na falta, do que no efeito esperado. Quando não conseguimos nos mover como desejamos, precisamos aceitar o momento atual, aprender algumas coisas com essa diminuição dos movimentos, passo a passo. Algumas partes nossas também vão parar solidariamente para ajudar uma parte que precisa se recuperar. A gente tem que entender essa "parada" como um momento necessário para manutenção, revisão, reabastecimento, coisas necessárias numa grande viagem numa estrada física, mas também nessa estrada chamada vida. Enquanto não houver aceitação, o processo não evolui. Só a aceitação leva a superação. É nessa parada que podemos rever e replanejar a estrada a ser percorrida. "Compreender a marcha e ir tocando em frente"
Era uma terça feira 23/02 estava no ponto de ônibus por volta das 23:40, estava no final de uma grande fila em frente à uma das saídas da estação Santana do Metrô.Sentia leves gotinhas de chuva. Quando estas começaram a aumentar a fila começou a se mexer. Segui o fluxo. A fila enorme deu uma volta calmamente e mudou de lugar, seguiu para debaixo da cobertura da estação. Fluiu tão natural, silenciosa, sem ninguém furar fila, se tivesse sido ensaiado não sairia como saiu. Na hora eu fiquei admirada. No fundo a gente sabe a hora de seguir, o que fazer. A gente só precisa se lembrar de sermos um só, de estarmos juntos pelo bem, sem brigas, sem desentendimentos e acusações. Se todo mundo faz a sua parte tudo melhora, desde uma fila de ônibus até o mundo!
Há alguns anos várias mulheres, conscientemente ou não, já soltaram ~dicas~ do que eu ~poderia~ fazer com meu cabelo, sem eu ter perguntado, mas como sou eu que pago cada pote de shampoo, creme, e etc., e sou eu que gasto tempo para cuidar dele, escuto mas não ligo, amo meu cabelo comprido do jeito que ele estiver, com química, sem química, e quanto maior melhor, gosto de comprimento longo! E tenha o cabelo que tiver, sempre tem um estereótipo pronto para ser disparado, no meu caso só tem um: falar que cabelo longo me liga a alguma religião. Falta de criatividade, criem novos estereótipos porque esse já está tão batido! Acho que nem é por maldade que as mulheres falam, mas talvez habituadas a serem enquadradas no certo e errado em tudo, o tempo todo, já reproduzem de forma automática o que escutam sem refletir. Será que eu já disparei algo assim para alguém sem perceber também? Se sim, foi mal me desculpem, assim como eu tenho desculpado quem tem me pentelhado amém! Se o ~cabelão~ me fizesse automaticamente~religiosa~ então eu teria que rezar/orar/vibrar/bater tambor ao invés de mandar para o inferno né? rs sou devota sim, da Santa Ironia!
Tarde do dia de natal. Antes de entrar na lotação vejo uma menina de aproximadamente três anos de idade, ela está ao lado de um homem, suponho que seja seu pai, ela chora gritando sem parar, suponho que seja "manha". Entro na lotação, a mesma começa a andar. A criança continua a chorar com pequenas pausas para retomada de fôlego. O "pai" tenta sem sucesso silenciar o choro. Aqueles pulmõezinhos saudáveis irritam os tímpanos de todos os passageiros. Mulheres entram, sentam perto do pai e filha e começam a interagir. Perguntam onde está a mãe dela. O pai responde que ela ficou em casa. As mulheres oferecem alimentos para a menina que para de chorar, enquanto o pai explica que a menina sempre estranha ele no começo quando ele vai buscá- la. Aí a gente entende que aquele choro pode ser saudade da mãe, aliada a falta de intimidade, entrosamento com o pai. E que mundo afora nesse momento pode ter outros choros como esse... E outras lágrimas pelos pais que sequer procuram contato com seus filhos, nem no natal, nem no resto do ano...
Era início da tarde, um sol de rachar, peguei a lotação que vai para minha casa, não tinha lugar para sentar, mas o caminho seria curto. Quando me acomodei de pé, abri minha mochila e peguei uma garrafinha de água, inclinei a cabeça e tomei um belo gole, quando terminei meu olhos se encontraram com os olhos de um menininho, sentado ao lado da irmã menor, a mãe de pé ao lado dos dois. Olhei para ele, ele estendeu sua pequena mãozinha, em sinal de que queria compartilhar daquela água, antes de mover as mãos olhei para a mãe dele, não vou fazer algo se ela não permitir. Inicialmente ela disse que não precisava, que eles já estavam chegando em casa. O menininho interrompeu a mãe e disse que estava com sede, sua irmã menor ao seu lado também se manifestou. A mãe aceitou a garrafinha de água das minhas mãos e deu aos dois filhos, um golinho para o menino, um golinho para a menina. A mãe preocupada porque eu ia ficar sem água. Respondi que também estava chegando em casa. O menino pediu um segundo gole, a menina também. Recebo a garrafa vazia de volta e vejo rostinhos satisfeitos. A mãe agradece, um pouco depois eles descem e vão caminhar alguns metros até sua casa, com um pouquinho mais de disposição diante do calor e eu com um pouco mais de disposição diante da vida. Fazer o bem pode ser tão fácil!
Aquele momento numa lotação bem cheia numa noite chuvosa. Dou o lugar para uma mãe com criança. Depois de um bom tempo consigo um outro lugar para sentar e seguro bolsas de duas mulheres. Uma mulher diz que eu tive sorte porque tinha dado lugar para alguém. O motorista para e o povo reclama dizendo que já está lotado. Uma mulher entra e em resposta a reclamação diz que estava na rua se molhando. Ela fica falando sozinha, eu fico me perguntando se ela é espontânea ou se está bêbada, pois essa mulher reclama que outra mulher bateu nela. A outra mulher, a acusada de bater, diz que foi sem querer e pede mil desculpas. A mulher que 'apanhou' reclama. Passam alguns pontos e a mulher desce e continua falando sozinha. O povo todo da lotação começa a rir depois do mal entendido, mesmo de pé apertado, cansado, longe de casa, rir é o melhor remédio!