Contador grátis

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Ônibus queimados em protestos prejudicam a própria população

No dia 26 de agosto no bairro do Jaçanã, na zona norte de São Paulo, foram queimados três ônibus, como manifestação da comunidade local pela morte de um jovem de 20 anos. A Polícia Militar diz que ele era traficante, e que houve troca de tiros. A mãe do rapaz diz que ele não estava armado, e estava fugindo quando foi alvejado pelos disparos.
Menos de uma semana depois, no dia 31 de agosto na favela de Heliópolis, na zona sul de São Paulo, pessoas incendiaram sete veículos, entre eles três ônibus, dois micro-ônibus e dois carros, como protesto pela morte de uma adolescente de 17 anos. A garota foi atingida com uma bala perdida durante a perseguição de guardas-civis de São Caetano a suspeitos em um carro roubado.
Não sou contra a população manifestar seu descontentamento diante das atitudes, muitas vezes despreparadas e precipitadas da polícia. Entretanto, desaprovo a forma como são feitos esses protestos. Incendiar ônibus é um ato que prejudica a própria comunidade, que vai utilizar o transporte cada vez mais lotado, diminui o número de lugares para sentar. Carros a menos nas linhas atrasam as viagens. Motoristas e cobradores perdem seus empregos. Bombeiros se deslocam de outras ocorrências para apagar o fogo. Esses incêndios fecham ruas, fazem com que os trabalhadores se atrasem para o trabalho, estudantes se atrasem para as escolas. Pessoas demoram mais tempo para chegar em suas casas. Aumenta o cansaço das pessoas com a viagem, cresce o medo de serem feridas durante a confusão. Outros preferem dormir na casa de amigos e voltar depois que tudo se acalmar. Enfim, altera a rotina de todos.
As pessoas devem encontrar formas mais assertivas de expor suas revoltas e necessidades para as autoridades. Devem se reunir, elaborar abaixo-assinados. Colocar no papel as ações que desejam e não aprovam em suas comunidades. Levar tudo documentado para a Câmara e Prefeitura Municipais. Devem tentar chamar a atenção de forma organizada, participativa, sem ameaçar o bem estar e a segurança de todos, sem responder a violência recebida da polícia com mais violência que só prejudica os moradores dessas regiões.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Estreia hoje “Coração Vagabundo”, documentário sobre Caetano Veloso, do diretor Fernando Grostein Andrade

Fernando Grostein Andrade esteve num bate papo com a plateia após a exibição de seu documentário no Cine Bombril em 21 de julho de 2009. Atualmente com 28 anos, ele começou o documentário com 23. Nada foi planejado. Tudo começou quando ele enviou “De Morango”, curta metragem, produzido por ele em 2003, para mais de 30 produtores, entre eles, Paula Lavigne. Ela respondeu e o convidou para dirigir o clipe de “Você não me ensinou a te esquecer”, do filme “Lisbela e o Prisioneiro”, depois o DVD “Foreign Sound” da turnê de Caetano Veloso cantando em inglês, cujo making off originou o documentário que exibe a rotina de Caetano durante os shows no Estados Unidos e Japão.

Segundo o jovem diretor, duas situações motivaram o documentário:
“Em São Paulo escutamos a expressão ‘baianada’ para designar uma coisa errada ou cafona. Essa expressão me incomoda, ver algo inédito como a homenagem a Caetano no Carneggie Hall, que exibiu o show dele durante uma semana. Isso é sofisticado, é baianada!”, desabafa Fernando que tenta mostrar que o trabalho do cantor baiano chegou na Ásia e Europa, além da América.

Sobre a contradição que Fernando sentiu no depoimento de Caetano, após a entrevista no programa de Charlie Rose, quando o cantor não se sentiu à vontade porque cresceu em Santo Amaro até os 18 anos e não era de São Paulo, mesmo sendo brasileiro famoso que canta em inglês em uma turnê internacional.

Fernando comentou que, ao mesmo tempo, que a equipe reduzida proporcionou mais intimidade, pois havia no máximo duas câmeras. Os poucos recursos de estrutura fizeram com que ele tivesse dores nas costas e emagrecesse nove quilos na turnê no Japão, porque filmava de costas e nos vôos, muitas vezes sem Caetano perceber.

O documentário passou por 80 cortes até a versão final. Fernando disse que quis fazer “edição democrática”, teve ajuda de Guilherme Wisnik e Giuliano Cedroni para a difícil missão de transformar 57 horas de material bruto em 60 minutos de filme.

Quando questionado sobre a reação de Caetano, que esteve na pré estreia. Fernando disse que as palavras do cantor na mídia foram boas, que ele disse ter curtido, apesar de não gostar de se ver em vídeo. “Não que alguém vá fazer um documentário sobre mim, mas se fizessem eu não estaria presente na estreia como Caetano esteve”, cometa o diretor bem humorado.

Fernando revela que o encontro com Pedro Almodóvar, além de mostrar a força de Caetano na Europa, foi orgulho para ele como estudante de cinema. Almodovar revelou que Paula Lavigne, “barroca e exagerada”, serve de inspiração para criar suas personagens. Ele também explica porque colocou Caetano cantando Cucurrucucu Paloma no filme “Hable con ela”.

Paula Lavigne não queria que fosse exibido o trecho em que o diretor espanhol a elogia, com medo que as pessoas interpretassem que ela queria se promover. Porém, ela e Caetano respeitaram o ponto de vista de Fernando, que manteve o comentário.

Outro diretor de cinema que é mostrado no documentário é o italiano Michelangelo Antonioni. A idéia de mostrá-lo surgiu quando Caetano comentou sobre o filme: “O passageiro”, Fernando entrou em contato com a esposa dele, Enrica, durante 6 meses para convencê-la a deixar que Antonioni que teve derrame e não falava participasse do filme. Ele faleceu em 2007.

Sobre influências, Fernando conta que diretor alemão Wim Wenders influenciou as cenas gravadas nos trens no Japão, Brasil e Estados Unidos, o ambiente do trem onde as pessoas viajam cansadas era em comum entre os países. E a câmera balançando foi motivada pelo documentário “Os Rolling Stones – Gimme Shelter”.

Os projetos futuros de Fernando Grostein são: um longa de ficção sobre a coexistência de árabes e judeus, um DVD de Fafá de Belém cantando Chico Buarque, o roteiro de um filme de ação e outro documentário, que segundo ele “ainda é cedo para falar”.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Resenha do livro: A mulher do próximo – Uma crônica da permissividade americana antes da era da AIDS - Gay Talese, Companhia da Letras, 1980, 483 pág.

O livro retrata a mudança de comportamento da sociedade nos EUA, nas décadas de 60 e 70, em relação ao sexo, moral e censura. Publicado em 1980, nos EUA pelo jornalista norte americano Gay Talese, escritor de destaque do movimento conhecido como “Novo Jornalismo”, que acrescenta técnicas literárias dando mais detalhes e profundidade ao jornalismo. Talese trabalhou 12 anos no jornal “The New York Times”. Detalhista, ele ainda utiliza máquina de escrever e fichas de anotações. Declarou que não confia na internet e é avesso ao gravador. Foi um dos destaques da FLIP- Feira Literária de Paraty, realizada de 1 a 5 de julho de 2009.

A época retratada pelo livro foi o período do pós guerra, quando os homens voltaram para seus empregos anteriores, depois de terem sido substituídos pelas mulheres, que saíram do lar para o mercado de trabalho. Pela primeira vez na história, elas se equipararam aos homens em valores salariais. Outros fatores que contribuíram para o aumento da liberdade sexual foram as descobertas da penicilina e da pílula anticoncepcional.

O livro mistura diversos personagens reais, entre anônimos e famosos, mas o autor não esconde que seus preferidos são os desconhecidos. Ele conta histórias de pessoas comuns convivendo com a sexualidade aberta, o ambiente, os freqüentares, curiosos e/ ou adeptos de nudismo e troca de casais como os casais Bullaro e os Williamson, em locais como Sandstone e Oneida. A biografia da revista Playboy de Hugh Hefner. A luta de grupos religiosos puritanos e editores liberais nos julgamentos e leis sobre pornografia de livros, filmes e revistas. O livro termina com o autor

Em três anos de pesquisa, Talese não havia escrito uma linha sequer. O livro demorou nove anos para ser concluído. O autor foi aos julgamentos, procurou autores liberais, censores retrógrados e representantes puritanos. Fez muitas viagens, entrevistas que foram gravadas e transcritas, algumas repetidas mais de cinqüenta vezes.

Talese teve tempo para obter a confiança e autorização dos personagens para usar suas estórias, seus verdadeiros nomes, e até mesmo ter acesso aos diários, como o de John Bullaro, e os que ele solicitou que as atendentes das casas de massagem escrevessem para que ele delimitasse os tipos de clientes, já que o próprio Talese trabalhou voluntariamente como gerente nesses locais. Algo que ele revela no final do livro, se apresentando como um dos personagens, que tanto se aproximou dos seus objetos de pesquisa. Ele detalha as dificuldades, as muitas críticas recebidas e até a crise em seu casamento com a agente literária Nan Talese.

É uma obra imprescindível não apenas sobre a liberdade sexual, mas também sobre as pessoas e os fatos que propiciaram a redefinição de moral na sociedade americana.

O livro também é uma aula de jornalismo sobre pesquisa, apuração e participação ativa de Gay Talese, que aos 77 anos, pretende escrever o próximo livro sobre os 50 anos de seu casamento a partir das cartas indignadas escritas por sua esposa.

sábado, 11 de julho de 2009

4º Jornalirismo Debate: Jornalismo Cultural

Os jornalistas: Eliane Brum, Pedro Bial, Daniel Piza, Sérgio Vilas Boas e o poeta Allan da Rosa foram os debatedores do "4º Jornalirismo Debate: Jornalismo Cultural", promovido pelo Senac em 26 de maio de 2009, das 19:00 às 22:30, no Senac lapa na Rua Scipião. A entrada era um quilo de alimento não perecível.
Sobre a prática do jornalismo, Eliana Brum declarou:"Duvide das próprias certezas. Ir à rua fazer reportagem é um ato de resistência. Por telefone e email só há pobres palavras. Não podemos ver os olhos, o rosto, a expressão. Tudo é informação! Gesto e silêncio são tão importantes quanto as palavras! Por meio deles, as pessoas continuam dizendo e nos fornecendo informações".
Pedro Bial sugeriu a leitura de livros de jornalismo literário, estilo que mescla no jornalismo técnicas da literatura, trazendo mais profundidade e detalhes ao texto.
Segue a lista:
-A sangue frio, de Truman Capote
-Os sertões, de Euclides da Cunha
-Estação Carandiru, de Dráuzio Varella
-Os Irmãos Karamabloch, de Arnaldo Bloch
-O jornalista e o Assassino, de Janet Malcolm
- As aventura de Tintin, de Hergé
- As revistas: Piauí, New Yorker e Carioca
-O jornalismo em quadrinhos de Joe Sacco
- O trabalho dos jornalistas: Gay Talese, Robert Fisk e Hunter S. Thompson

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Jornalismo não importa a faculdade, cada um se faz repórter



Marcos Zibordi jornalista da imprensa alternativa dá palestra aos alunos do curso de jornalismo do Centro Universitário Sant’ Anna

O repórter da revista Caros Amigos Marcos Zibordi deu uma palestra descontraída sobre sua experiência de 10 anos como repórter para os alunos do curso de jornalismo no Centro Universitário Sant’ Anna, em 28 de abril de 2009. Marcos falou do processo de produção da reportagem publicada em janeiro de 2008 “São Paulo, 454 anos meus pêsames” desde o surgimento da idéia, quando o jornalista viu uma notícia na televisão sobre o uso de chips para rastrear veículos “nem todo mundo acha isso absurdo, outros podem concordar, não pretendo dizer a “verdade”.
Zibordi usou exemplos para falar das diferenças entre reportagem e jornal diário: “O jornalismo diário se impõe, é uma cadeia de repetição. Reportagem leva a fundo uma parte. O que é verdade? Realidade? Recorte parcial, cada um acha o seu, investigar te leva a descobrir coisas. A reportagem parte de você, é leitura contextual, obrigação de amplitude de visão maior”.
Fica evidente na fala de Zibordi sua consideração pela diferença que cada um faz na própria vida: “Jornalismo não importa a faculdade, cada um se faz repórter. Dou aula na Universidade Bandeirante (Uniban), algumas pessoas criticam, mas eu procuro dar a melhor aula”.
Zibordi fala das responsabilidades e atribuições da profissão. “Sou repórter há 10 anos. É preciso maturidade para lidar com um grande número de informação. A experiência possibilita edição das melhores estórias, fórmulas de dizer mais escrevendo menos, jornalismo é texto de precisão. Escrever fica cada vez mais difícil, você desenvolve olhar crítico, enxerga melhor o texto. Hoje vejo meu trabalho antigo e acho ridículo. É aprendizado contínuo, reescrever milhões de vezes, escrita é a busca pela possibilidade de fazer melhor.”
Sobre a experiência de entrevistar, Zibordi aconselha: “entrevista é diálogo pessoa com pessoa, não se chega perguntando, tem que conquistar, não pode se afobar, eles já deram milhares de entrevistas, 95% foi ruim, conversa tem que fluir deixa o entrevistado falar”.
A palestra foi aberta para que os alunos fizessem perguntas ao jornalista. “Quais foram as fontes da reportagem panorama das cotas em universidades?”, questiona Marcela Silva, aluna do terceiro semestre.
“Telefonei para o Ministério da Educação (MEC) e eles não sabem quantas faculdades tem cota no Brasil. Jornalismo é trabalho braçal. Telefonei para 40 instituições de ensino para ver quem poderia responder as perguntas. A matéria foi difícil de fazer pela diferença entre medições das instituições de ensino”, respondeu Marco Zibordi.
“Os jornalistas vão perder espaço para os blogs?”, questiona Priscila Gomes, outra aluna do terceiro semestre.
O repórter responde: “Grandes matérias do jornalismo existem pela curiosidade. O jornalismo não vai acabar. A necessidade de informação na internet mostra que conhecimento é moeda de troca, as pessoas lêem mais e escrevem mais jornalismo sobreviveu e se adaptou a todas as novas tecnologias”.
A palestra encerra com um clima de esperança para os alunos que desejam atuar como jornalistas num futuro próximo.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Estudantes brasileiras e cursos de idiomas no exterior

As experiências, dificuldades e aventuras de quem buscou melhorar os conhecimentos de idiomas em outros países

O que leva alguém a deixar o Brasil para fazer um curso de idiomas em outro país?
Larissa Brack, formada em Secretariado Executivo pela Faculdade Sumaré, que já fazia um curso de inglês em São Paulo, decidiu cursar inglês durante um mês em San Francisco na Califórnia-EUA, e aproveitou para ficar mais vinte dias de férias. “Um mês de curso lá foi como se tivesse estudado um ano aqui. Quando retornei ao Brasil arrumei um emprego melhor como secretária bilíngue. A experiência contou muito, valorizou meu currículo”, afirma Larissa.
Sobre as expectativas antes de viajar, ela diz que estava muito animada, e que durante o curso percebeu o quanto era difícil estar em outro país, com outra língua.
A distância para Larissa foi a maior dificulldade. “Quando cheguei lá senti uma tristeza enorme, tive a sensação de ter feito besteira indo sozinha. Depois o susto passou, e as duas primeiras semanas foram cheias de novidades. Já nas últimas, a saudade apertava mais ainda” completa Larissa, que todos os finais de semana viajou pelas redondezas com os colegas de curso que se tornaram amigos.
Taísa Richter, estudante do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Anhembi Morumbi, aproveitou o convênio oferecido pela Universidade e passou um semestre do curso numa cidade em Madri, na Espanha, pagando o mesmo valor da mensalidade que pagava no Brasil. Porém tinha o custo de vida que seus pais ajudaram a pagar.
Antes de viajar suas expectativas e ansiedade eram enormes. “Quando cheguei lá vi que as coisas seriam melhores do que eu imaginei”, comenta Taísa.
Para ela foi estranho estar longe de casa, num país diferente, mas as dificuldades e diferenças a ensinaram a se virar sozinha.
Enquanto esteve por lá fez um trecho do caminho de Santiago de Compostela, no qual conheceu muitas pessoas de países diferentes, e sentiu na pele como é não ter inglês fluente em viagens. Também viajou para o sul da Espanha, pela Europa, de trem, com o seu irmão. “Conhecer lugares e pessoas diferentes é a melhor parte do intercâmbio, porque você aprende a viver e lidar com culturas diferentes, isso te agrega muita coisa”, completa Taísa.
Entre as dificuldades, teve que assinar um contrato de locação de imóvel com termos jurídicos e vocabulário técnico. E também teve a casa roubada.
Taísa considera importante que as pessoas interessadas em intercâmbio se preparem antes, saibam se virar bem com a língua local, não tenham medo do que virá pela frente e passem no mínimo seis meses no lugar.
“Me formo no segundo semestre de 2009. A experiência melhorou meu nível de espanhol. Já repeti muitas vezes para mim e para meus pais que preferia não ter voltado. Se pudesse trabalhar fora e fazer minha vida lá, iria sem pensar duas vezes pra qualquer lugar”, afirma.
“Quanto ao depois, é bem ruim voltar de intercâmbio, mas se você faz uma entrevista eles levam em consideração esse tipo de experiência, mesmo porque treinar uma língua no país de origem não tem comparação é bem mais intenso que fazer aulas em uma escola de línguas”, conclui Taísa.
Bárbara Casadei, formada em Secretariado Executivo pela Faculdade Sumaré, também passou um tempo juntando dinheiro e, após o final da faculdade em 2006, embarcou para New Jersey pelo programa Au Pair com a agência Experimento. Ficou lá pelo programa por um ano e depois permaneceu alguns meses por conta própria. “Não foi fácil, mas foi possível”, diz Bárbara.
Ela conseguiu lidar com a distância, mas também sentiu uma grande carência e sensação de falta de chão.
“Geralmente a realidade é muito diferente da que esperamos, a experiência é muito mais intensa do que podemos imaginar. O depois é bem doloroso, o choque cultural de volta a nossa realidade é muito forte”.
Além do choque do retorno, outra dificuldade foi a experiência de cuidar de crianças, ela acredita que algumas são difíceis, mas no geral ela se dá bem porque gosta delas. Cuidou de várias, a primeira família com três filhos de cinco e três anos e um bebê de sete meses. A segunda com duas meninas, uma de 11 e outra de três anos e a terceira família com uma de seis e outra de um ano e meio.
Ela viajou bastante, conheceu muitos lugares e amigos. Viveu intensamente.
Enfrentou dificuldades, trocou de família porque a primeira era difícil de lidar.
“Creio que é importante observar se suas expectativas estão de acordo com o seu nível de conhecimento, pois só inglês não quer dizer muito. Ser formado e ter outros cursos ajuda” finaliza Bárbara.
Existem várias agências habilitadas para intercâmbio, uma delas, a Experimento está no mercado há 44 anos, é a mais antiga do Brasil.
Cláudia Costa, Consultora de Intercâmbio da agência Experimento, já embarcou com um grupo e assistiu a orientação nos Estados Unidos. “Au Pair é a melhor opção de intercâmbio porque proporciona trabalho, estudo, moradia e alimentação inclusos, possibilita que a estudante possa até juntar algum dinheiro, já que a remuneração é semanal, mas depende do esforço da pessoa” declara.
“Intercâmbio, sem dúvida será uma das melhores experiências de sua vida!”, afirma Renata Franco, consultora de vendas da agência BIL Intercâmbios, que está no mercado desde 1985, com mais de 20 anos de experiência no ramo.
A seguir, entrevista com Priscila Feitosa que fez o Programa Au Pair pela Bil Intercâmbios.
Quais as suas expectativas antes, durante e depois dessa experiência?
Priscila - Tomei a decisão de ir para os EUA em um momento que estava estafada com a minha vida no Brasil, decepcionada em vários aspectos, principalmente profissional. Então, estava ansiosa para começar uma nova vida, longe de todos.
Apesar de todas as dificuldades enfrentadas, aconteceram muitas coisas boas que fizeram toda a experiência de morar fora valer a pena. Era muito bom sentir que cada dia você podia conhecer, aprender algo novo, tanto na língua, como lugares, pessoas, fora que a qualidade de vida por lá é excelente. Voltei para o Brasil como um teste, para verificar onde eu quero morar, aqui ou lá. A expectativa com esse retorno, a curto prazo, é de recolocação no mercado de trabalho.
O que você teve que fazer para pagar pelo programa?Seus pais ajudaram?
Priscila - O programa não e tão caro, aliás é a forma mais barata de se fazer um intercâmbio. Tive ajuda da minha família na etapa final, me deram dinheiro para eu levar como segurança. Mas, o restante do programa paguei com o meu salário da época.
Quanto tempo e em qual país você esteve?
Priscila - Eu morei dois anos nos EUA, mas como Au pair fiquei um ano e três meses, após esse período, resolvi sair do programa, trocar meu visto e ficar por lá de uma forma mais independente.
Como você lidou com a distância?
Priscila - Tive momentos difíceis, eu me via sozinha em um país diferente, onde ainda tinha a barreira da língua e a cultural. Porém, a internet esta aí encurtando distâncias, eu mantinha contato quase que diário com minha família por e-mail, MSN e Skype, que também foi de grande valia. Fora que ligações internacionais, usando cartão telefônico são muito baratas nos EUA.
Como foi lidar com as crianças? Quantas crianças você cuidou? De quais idades?
Priscila - Eu passei por duas famílias. A primeira eu cuidei de quatro crianças de idades completamente diferentes: dois garotos de dez e oito anos, uma menina de seis anos e o mais novo de dois anos. Na segunda família eu só cuidei de um bebê, comecei quando ela tinha três meses e saí da família quando ela tinha dez meses. Apesar de gostar de crianças e estar psicologicamente preparada para o programa e as mudanças que isso traria, o fato de eu nunca ter tido uma vivência "profissional" com crianças aqui no Brasil fizeram que eu tivesse um grande impacto no começo, já que eu sai do Brasil, de um trabalho em ambiente corporativo e me vi em um ambiente totalmente doméstico. Porém as crianças eram fáceis de lidar, e a família estava preparada para receber uma Au Pair, isso facilitou muito no processo de adaptação.
Você chegou a trocar de família?
Priscila - Sim. Uma vez. Fiquei sete meses na primeira família, no estado de Virginia, porém, quatro crianças era muito trabalho, percebi que não estava me dedicando aos meus estudos da maneira que eu queria. Então resolvi mudar. Claro que toda mudança não e fácil. Tive conflitos com a família quando tomei essa decisão. Porém, no final foi a melhor escolha que eu fiz. A segunda família que eu fiquei morava em Nova York, e a ida para lá me abriu um novo mundo cheio de possibilidades. A cidade é pulsante.
Você viajou? Conheceu outros lugares?
Priscila - Sim, sempre que podia fazia viagens curtas de carro, trem, ônibus ou avião. Conheci várias cidades da costa Oeste (Washington DC, Philadelphia, Miami, Baltimore, New Jersey, New York, Boston, Connecticut, Chicago entre outras...). Fiz vários contatos por lá, conheci muita gente, fiz amizade com pessoas do mundo inteiro, principalmente depois que mudei para New York, que é uma cidade multicultural. Foi uma experiência muito válida a melhor da minha vida até o momento.
Qual a maior dificuldade para uma Au pair que você enfrentou?
Priscila - Acredito que seja a o impacto inicial. Toda a mudança de estilo de vida, cultural, barreira linguística. Mas com o tempo você vai se inserindo nesse novo estilo de vida. O momento mais difícil foi quando eu decidi mudar de família, e a reação desta não foi a esperada. Então saí da casa em um clima péssimo e tive que me virar enquanto a agencia não me indicava outras famílias para eu escolher. Porém, tinha alguns bons amigos por perto e tive lugar para ficar, comida e gente para conversar. Eu poderia ficar com uma responsável da agência de intercâmbio, pagando hospedagem, porém eu não quis.
O que você aconselharia para alguém que deseja ser Au pair?
Priscila - Não ter pressa na escolha da família, conversar muito com eles por e-mail, telefone, enquanto ainda esta no Brasil e registrar todas as conversas.
Saber todas as regras do programa antes de ir e de todos os números de emergência quando estiver por lá.
Já ir com uma base boa de inglês, isso facilitará na adaptação.
Ir consciente que será uma fase de mudanças e que você tem que estar aberto para isso, só assim conseguirá aprender e trocar experiências.
A experiência melhorou seu nível de inglês? Quais as suas expectativas profissionais com seu retorno ao Brasil?
Priscila - Sou formada em Comunicação Social - Relações Públicas pela Uni Sant' Anna. Definitivamente essa experiência alavancou meu inglês. Saí do Brasil com esse objetivo, estudei o máximo que pude enquanto estive lá. Hoje estou concorrendo a várias vagas que exigem que se tenha o inglês.
Conseguir uma oportunidade na área de Comunicação, onde eu possa me aperfeiçoar profissionalmente e construir uma carreira.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Which Grey's Anatomy Character Are You?