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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A jovem estudante que não entende nada de administração do lar

Pode parecer pieguice, mas só agora pensei sobre os super poderes das mulheres donas de casa.
Tudo aconteceu depois de um dia em que fui sozinha ao supermercado fazer umas comprinhas. Fui colocando coisas no carrinho e, só depois de passar no caixa, descobri que estava pesado demais, entrei no ônibus sem amarrar as sacolas e numa freada quase caí, uma mulher me deu lugar para sentar, outra me ajudou a recolher as coisas que caíram no chão, mulheres solidárias com alguém visivelmente novata em fazer compras.
Eu, que nós últimos cinco anos passei a maior parte do tempo como aluna de faculdade, debatendo sobre os grandes problemas da humanidade, não tenho a mínima vocação para administração do lar.
Tenho aulas de ética e cidadania, e não faço idéia em qual dia da semana passa o lixeiro na minha rua.
Estudo filosofia, psicologia, sociologia, mas morro de medo de usar panelas de pressão e daqueles barulhos que ela faz.
Não tenho problemas para interpretar textos, em contrapartida não sei tirar as pregas de uma camisa com o ferro de passar roupa.
Sei escrever bons textos, mas o que devo colocar numa lista de compras?
Estudei as fases de desenvolvimento da criança segundo Freud e Piaget, embora nunca tenha trocado uma fralda suja.
Estou na segunda faculdade e tenho conhecidas da minha idade que estão na segunda gravidez, e fazem questão de me dizer que voltarão a estudar e um dia tentarão fazer faculdade. Eu olho para elas e respondo que um dia também quero entender os mistérios do lar, do casamento e de ter filhos.
Hoje, dou graças a Deus de viver numa época em que tenho que aprender as coisas para cuidar de mim, que posso priorizar minha formação pessoal e que não preciso ser a rainha do lar, pelo menos por enquanto.

domingo, 17 de agosto de 2008

82º Festa de Nossa Senhora Achiropita


Festa realizada anualmente todos os finais de semana do mês de agosto, na rua Treze de Maio a partir do nº 288, e outras duas ruas próximas: São Vicente e Dr. Luís Barreto, no bairro da Bela Vista, em São Paulo, também conhecido como Bexiga, com várias barracas que vendem comida típica italiana como: fogazza, fricazza, polenta, doces italianos, espetos de frutas cobertas de chocolate, pizza, churrasco, macarrão, lingüiça, barracas de souvenirs, barracas de diversões e bebidas. Toda a renda atualmente é convertida para as obras assistenciais. A festa começou em 1926 como uma quermesse com o objetivo de construir uma igreja maior, já que a capela na época estava lotada.
Além das barracas na rua, há a Cantina Madona Achiropita, com lugares reservados e preços variados, que além da comida, dispõe de salão com um locutor que fala das atrações da festa, localização das barracas e música italiana ao vivo, que é transmitida por meio de caixas de som espalhadas pelas ruas da festa.
Sou freqüentadora da festa desde 2001, todo ano as mesmas comidas, filas enormes, o grito de: “Olha o molho!” do pessoal que trabalha nas barracas da festa quando querem abrir caminho nas ruas, é fácil de reconhecê-los porque todos estão sempre uniformizados, usam bonés e crachás, já que a festa possui grandes patrocinadores, há também o comércio paralelo informal realizado por barracas não credenciadas e moradores da região que aproveitam o grande fluxo de pessoas para vender alimentos e bebidas até no espaço de suas residências.
Os freqüentadores são de todas as idades e perfis, homens, mulheres, crianças, famílias, jovens, que podem contar com policiamento e segurança privada nas ruas da festa, ambulatório e sanitário na rua Treze de maio.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Filme: Nome próprio


Assisti o filme: Nome próprio, dirigido por Murilo Salles, com a atriz Leandra Leal, que vive a personagem blogueira Camila Lopes, baseada no livros: "Máquina de pinball" e "Vida de gato", escritos por Clara Averbuck, dona do blog "brazileira!preta", que teve mais de 1800 acessos diários, seu blog atual é "Adiós Lounge".
Acredito que todo mundo é um pouco como a personagem: às vezes segura, outras insegura e carente, que expõe seus sentimentos pela escrita, seja no papel, no blog ou na parede, que vive e ama intensamente, impulsivamente, a vida dela é um caos, Camila disse que seu problema era pensar que o caos era ordem...
Eu gostei de alguns detalhes como: o barulho de teclado, a variedade de locais: praia, bar, lan house e o mundo singular da personagem, mostrado em ambientes pequenos como um quarto quase vazio de um apartamento.
Notei que o filme parece bem diferente para o padrão de filmes nacionais que temos, bom mas também há cenas de sexo, cigarro e drogas, não como apologia, porém como coisas que continuarão a existir mesmo que a gente ignore a existência e que fazem parte daquele universo retratado com fidelidade.
Eu saí do cinema pensando em como continuaria a vida da Camila...
Essas são as minhas impressões, se puder vá ao cinema e tire as suas

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Peça de teatro: Imperador e Galileu no Sesc Santana de 18 de julho a 24 de agosto de 2008

Uma dica é a peça de teatro: Imperador e Galileu, em cartaz no Sesc Santana de 18 de julho a 24 de agosto de 2008.
Texto de Henrik Ibsen, com o ator Caco Ciocler como Imperador Juliano, que no ano de 360 d.C. declarou a liberdade de religião no mundo, resgatou o culto aos deuses pagãos e foi considerado apóstata pela igreja católica.
Sextas e sábados, às 21h; Domingos, às 19h30
O Sesc Santana fica na avenida Luiz Dumont Vilares, 579 próximo à estação Parada Inglesa da linha 1 - Azul do metrô.

Mais informações
Ttelefone: 11 2971-8700
Fax: 11 2971-8787
E-mail: email@santana.sescsp.org.br ou pelo site http://www.sescsp.org.br/

A dor como processo de fabricar beleza e arte

Um dia recebi um e-mail e li uma estória de como foi composta a música Flor de Lis do cantor Djavan, que teve uma esposa chamada Maria que estava grávida de Margarida, um problema no parto, a tentativa de salvar mãe e filha que não resistiram e faleceram. Algo triste que se encheu de beleza e se eternizou nos seguintes versos:
Será, talvez, que a minha ilusão, foi dar meu coração com toda força, pra essa moça me fazer feliz, e o destino não quis me ver como raiz de uma flor de liz/E foi assim que eu vi nosso amor na poeira, poeira/ Morto na beleza fria de Maria/ E o meu jardim da vida ressecou, morreu /Do pé que brotou Maria, nem Margarida nasceu
Desde que li essa história sempre penso nessa história real que Djavan protagonizou e comecei a pensar em outros exemplos de dor transformada em beleza e arte, como os quadros da pintora mexicana: Frida Kahlo, inspirados em fatos tristes de sua vida como um acidente que fez com que ela passasse por inúmeras cirurgias e ficasse muito tempo de cama, esse acidente impediu Frida de ser mãe, ela teve dois abortos naturais e chegou a pintar desde ela mesma usando um colete ortopédico com sua coluna cheia de pregos até mesmo um de seus filhos falecidos.
Uma das frases de Frida Kahlo é "pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade".
A partir da dor de Frida seus quadros ficaram conhecidos mundialmente.
Para quem quiser conhecer um pouco mais da vida de Frida e suas obras, uma dica é o filme Frida interpretado por Salma Hayek.
Por fim encontrei mais uma argumento em um livro do escritor Rubem Alves: “Ostra feliz não faz pérola” no qual ele diz que: “pessoas felizes não sentem a necessidade de criar. O ato criador, seja na ciência ou na arte, surge sempre de uma dor. Não é preciso que seja uma dor doída. Por vezes a dor aparece como aquela coceira que tem o nome de curiosidade”.
E você já usou sua dor para fazer algo útil? Seja um livro, uma música, um quadro, um blog...

Aline Kátia Melo

Histórias de vida após um AVC – Acidente Vascular Cerebral


“O Escafandro e a borboleta” é o nome do filme que conta a história real do francês Jean Dominique Bauby, editor da revista Elle, que após um AVC (acidente vascular cerebral), ficou em coma por alguns dias e despertou com a síndrome do locked in, ele estava consciente e não teve nenhum dano em sua capacidade intelectual, porém seu corpo não reagia, a única coisa nele que funcionava era o olho esquerdo, e assim ele começou a se comunicar com piscadas, uma piscada para “dizer” sim e duas para “dizer” não, posteriormente sua ortofonista, uma das pessoas que cuidava dele, resolveu aumentar as possibilidades de comunicação de Bauby e começou soletrar letras de acordo com a freqüência de uso e pedia para ele piscar e formar palavras, e assim ele que possuía um contrato com uma editora antes do acidente, "ditou" um livro sobre a vida dele e morreu dez dias após sua publicação no ano de 1997.
Anos atrás, li um livro chamado “Sem asas ao amanhecer”, de Luciana Scotti, uma jovem de São Paulo que vive uma situação parecida desde o dia 02 de maio de 1994, quando aos 22 anos de idade, a farmacêutica desmaiou enquanto escovava os dentes e foi levada para o Pronto Socorro de Santana, assim como Jean Dominique, ela sofreu um AVC, provocado pelo uso de pílula anticoncepcional e cigarros, um caso raro para a idade dela, que a deixou muda e tetraplégica, Luciana também transformou sua história de vida em livro, digitado com apenas um dedo, anos depois escreveu um segundo livro: “A doce sinfonia de seu silêncio”, na época já digitava com três dedos, seu segundo livro foi um romance real no qual ela era a protagonista cheia de vida e sonhos e deixava para trás a Luciana triste e revoltada do primeiro livro. O terceiro livro de Luciana foi sua tese de mestrado: “Envelhecimento cutâneo à luz da cosmetologia”, ela fez mestrado e doutorado após o acidente. Luciana também se comunicava com uma placa contendo o alfabeto na qual ela apontava letra por letra para formar palavras.
Tanto nos livros de Luciana como no filme sobre Bauby, são mostrados os desafios dos dois de seguirem suas vidas sem movimentos físicos, embora ambos estivessem submersos num turbilhão de sentimentos e pensamentos em si mesmos, as dificuldades e preconceitos que enfrentaram, mas também falam de asas, de borboletas, transformações, sonhos...
Quem quiser conhecer mais sobre Luciana Scotti pode acessar o site: http://lscotti.atspace.com/autora.htm
Aline Kátia Melo

Which Grey's Anatomy Character Are You?