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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

5 meses de luto #pai

No dia 13 completou cinco meses que meu pai se foi 
Contados como uma gravidez inversa
Seu corpo voltando para a terra
O luto também é uma luta contra o medo do esquecimento
É um deixar ir aos poucos as dores, dúvidas, inconformismos
É segurar esperanças, memórias, virtudes
É buscar aceitação, entendimento, novos sonhos, novos sentidos
É buscar um renascer diário no coração
É descobrir um novo significado para palavras como amor, saudade, distância, felicidade, gratidão...
É vê-lo em mim, no formato dos meus olhos, nas veias saltadas, na teimosia
É me sentir irmã na dor, de todos e todas que passaram por isso
Lidar com a primeira grande perda sem me perder...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Os cocos verdes, a vida, os dias...

Esse ano inseri a água de coco quase como uma bebida diária. Evito refrigerante e só compro em casa quando vem visita. Se estiver em algum lugar e for a única opção posso tomar alguns goles. Faz anos que não bebo café, nem Coca Cola. Comprei uma Coca do rótulo verde e tomei um gole de curiosidade. 
Saindo da Coca e voltando aos cocos verdes, estes são pesados, fazem volume, comprar mais de um na quitanda da rua de cima equivale a um leve exercício físico para os braços, sem contar o ato de abrir...
Como o coco verde parece com a vida! As vezes simples, mas a gente complica até encontrar jeitos de descomplicar. No começo comprei um fura coco, usava facão para cortar um pedaço antes de usar o furador, mas hoje o jeito mais fácil é tirar o cabinho e abrir um buraquinho com uma faca pequena e de ponta afiada. Alguns são mais macios e a água aparece com a primeira facada. Outros precisam de furos mais profundos e mais facadas até libertar o precioso líquido.
Tem coco que vem 350 ml, outros 600 ml, mas a média é 400 ml. Tem uns mais doces, outros menos. E tudo isso a gente só descobre depois que consegue abrir, e depois que prova o primeiro gole.
Dizem que quem vê cara não vê coração. Poderiam dizer quem vê coco não sabe quão doce ou quanta água tem.
Por fora todos os cocos parecem verdes e iguais. Assim como os dias, alguns foram mais doces, outros não. Alguns tinham mais coisas para aproveitar, outros não. Alguns mais fáceis de lidar, outros não. E a gente só vai saber vivendo, abrindo cada um deles, um dia de cada vez, sem se cansar tentando adivinhar antes...

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Presentes de natal nos correios

Fui colocar uma caixa no Correio e pela primeira vez observei as cartinhas de natal em uma agência da região central de SP. Percebi que muitas delas pedem mais que um presente, algumas colocam duas opções tipo um "tablet" ou uma "roupa", uma "bicicleta" ou um "calçado". Muitos querem patins, bicicletas, celulares e tablets. Eu até pensei em pegar uma, mas os pedidos estão altos demais para uma pessoa desempregada. Eu mesma não tenho um tablet, nem patins, nem bicicleta kkk... Mas olhei as cartas de novo, acabei escolhendo uma cartinha de uma menina de 9 anos que vai ganhar brinquedos, que são a terceira opção depois da bicicleta e dos patins. Ela quer algo da Moranguinho. Ela disse que o natal é divertido mesmo sem presente!

terça-feira, 15 de novembro de 2016

15 de novembro de 2016

Hoje meu pai completaria 66 anos, mas dia 13 agora completou quatro meses de sua morte.
Faz parte de quem eu sou "contar" o tempo que passou, contar numericamente, contar a jornada que passei no correr dos dias. (Jornal vem do latim 'diurnalis' - diário. Jornada vem de dia, o que acontece em um dia)
Hoje é seu primeiro aniversário sem você por aqui. Estou pensando se esse feriado vai ser como o Natal. Um aniversário sem aniversariante, no qual a parcela da humanidade criada na cultura cristã pensa no que a vida do aniversariante fez pela vida delas. No meu caso seria um feriado restrito a quem viveu e conheceu meu pai terreno rs, pensar o que a vida dele influenciou a vida de quem o conheceu. Para mim o 15/11 junto com o 04/04 de minha mãe resultaram no meu 23/05. É mais um dia para lembrar do barulho da chave dele pendurada no passante das calças de alfaiataria, que chamamos de calças "sociais", como se outras calças fossem "anti-sociais" rs. É dia de lembrar de quando eu estava com a chave na mão saindo de casa e ele dizia "olha, escuta" e dizia ou pedia algo antes que eu saísse. E eu me irritava por estar atrasada, hoje não tem mais você aqui, descobri que o verdadeiro incômodo é o silêncio da ausência. Engraçado que sua profissão fosse porteiro e tantas lembranças suas envolvam portas e chaves rs. Mas para mudar um pouco o assunto, lembro também que ele já me chamou de "rainha da teimosia" e querer hoje ter essa teimosia, não mais de um modo infantil, mas uma persistência de recomeçar e continuar batendo em portas, procurando chaves, janelas e novas portas na minha vida. Obrigada pai por todas as portas que abriu para mim!

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A porta e o parafuso

Um dia estava numa casa. Usei o banheiro dessa casa algumas vezes. De repente a porta que fechava normalmente travou e não encostava no batente para fechar. "Deve ser um problema na porta", pensei. Olhei as dobradiças da porta, não vi nada de anormal. Decidi chamar um morador da casa para mostrar o que aconteceu. Quem sabe não fosse a primeira vez. O morador tentou mover a porta sem sucesso, mas ao invés de olhar a dobradiça da porta como eu fiz, ele foi por outro caminho. Ele olhou para o chão. E no pequeno vão entre o chão e a porta ele encontrou um parafuso bem pequeno, que mal dava para enxergar. Assim que ele tirou esse parafuso do chão, a porta voltou a fechar normalmente. Um pequeno parafuso bem menor que a porta não permitia que ela fechasse.
Talvez a vida, quando não flui naturalmente, seja como essa porta travada, as vezes a gente acha que o problema é a porta, está na porta, mas as vezes o problema só está muito perto dela, a ponto de parecerem uma coisa só. É infinitamente menor que ela em tamanho, mas pode comprometer completamente seu movimento. Talvez você precise de ajuda para encontrar o parafusinho que travou sua porta... Lembrei aquela frase que apertar um parafuso não custa nada, mas o valor do trabalho está em saber qual é o parafuso certo que deve ser apertado...

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Correnteza da vida levando aqueles que amamos...

A ficção e a vida se cruzam o tempo todo. Dias após a morte do meu pai eu assistia a quase morte do personagem Santo dos Anjos, nordestino trabalhador com duas filhas assim como meu pai. E aquilo mexia muito comigo. Tereza, a mulher que o amava buscava por ele para trazê-lo de volta a vida. A personagem de Camila Pitanga, que ontem por duas vezes tentou e não conseguiu segurar o parceiro de cena pelas mãos. Tereza trouxe Santo de volta a vida, mas Camila não conseguiu salvar Domingos. A gente lembra do momento que segura a mão de alguém querido num hospital e não pode impedir a partida dessa pessoa. As mãos não se alcançam, as vezes se alcançam, mas um dia tem que se soltar uma da outra... É a correnteza da vida, é a correnteza dos rios, levando e trazendo as pessoas que a gente ama.
O cenário da novela, o Rio São Francisco que atravessa o estado de Alagoas onde meus pais nasceram. E entre Alagoas e Sergipe na tarde de ontem se encerrou a vida do ator Domingos Montagner, casado, pais de três filhos. A vida de Domingos e de Santo se fundiram.
Os índios que contracenaram com ele disseram: "Por que estão querendo trazer a alma dele de volta? Ele nasceu de novo hoje. Ele se tornou um novo protetor do rio São Francisco, que estava tão esquecido. Porque esse rio não pode morrer. A novela contou todos os mistérios do rio e esse é mais um deles. Mas ele se tornou um ser de luz, pois a água não tira a vida, ela dá a vida. Fiquem felizes pela alma dele, pois quando ele entrou no rio se despediu do corpo e alma, nasceu em um mundo melhor. Algum dia os brancos irão entender isso. Então, temos que fazer um ritual para que os brancos entendam e sejam fortes, pois ele está bem, Ele agora é um protetor do rio São Francisco"

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Jogos Olímpicos Eleitorais

Começou a edição dos Jogos Olímpicos Eleitorais com as seguintes modalidades:
-levantamento de copo americano de café em padarias do centro e das quebradas
-degustação de iguarias periféricas como pasteis, pão na chapa e congêneres
-levantamento de crianças pobres em poses para fotos
-arremesso de santinhos em casas e comércios
-boxe e luta livre e luta greco romana entre adversários políticos
-ping pond de acusações entre candidatos nos debates políticos
-nado sincronizado com aliados políticos
-ginástica olímpica na interação com eleitores nas ruas
-canoagem remando contra as marés sociais
-hipismo com a cavalaria da polícia
-tiro ao alvo, tiro, porrada e bomba, tiro todos os seus direitos
-esgrima alfinetando adversários com boatos
-taekondo tá é com dor de tanto fingir sorrisos
-velas acesas para todos os santos
-corrida para todos os canais de televisão
-basquete jogando na cesta do lixo as reclamações da população
-500 metros rasos de caminhadas em periferias diversas
-revezamento 4 por 100, a cada quatro anos as mesmas "cem"vergonhices
-marotona de discursos de promessas
-triatlon: discurso, levantamento de copo americano e de crianças
-pentatlo: selfies, apertos de mãos, discurso, levantamento de copo americano e de criancinhas

Which Grey's Anatomy Character Are You?