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sábado, 1 de janeiro de 2011

Resenha filme: "A montanha dos sete abutres"

O filme A Montanha dos Sete Abutres mostra a interferência do jornalista Charles Tatun no salvamento do mineiro Leo Minosa, preso em ruínas indígenas de 450 anos.
O jornalista prevê uma grande oportunidade de contar uma boa história, e quem sabe até ganhar um prêmio Pulitzer, ele diz: "Más notícias vendem mais. Boas notícias não são notícias”.
Assim Tantun se instala no comércio de Lorraine, esposa de Leo e passa a fazer várias ligações telefônicas, a fim de obter apoio para o “salvamento”.
O local do acidente aos poucos foi recebendo muitas pessoas, chegando ao número de três mil expectadores do espetáculo orquestrado por Charles Tantun.
No início não se pagava entrada para entrar no parque. A esposa de Leo começou a cobrar 25
centavos, depois 50, e por fim cobravam um dólar. Foi criado um fundo para o salvamento de Leo Minosa. Uma banda tocava uma música escrita para Leo e cópias da letra da música eram vendidas.
Tantun manipula todos ao seu redor, principalmente o Xerife, Gus Kretzer a quem pede exclusividade de acesso na caverna, já que é a “história dele”, em troca reforça a imagem do xerife no jornal para ajudar a reelegê-lo.
Al Federber foi uma das primeiras pessoas a chegar ao parque, junto com sua esposa e seus dois filhos. Ao ser entrevistado por uma rádio, ele não perdeu a oportunidade de falar que trabalhava com seguros, tentando promover sua empresa, enquanto o foco da entrevista deveria ser o acidente de Leo Minosa.
A pessoa mais manipulada é a esposa de Leo, inicialmente tentada a fugir, Lorraine fica e passa a lucrar com a movimentação em seu estabelecimento. Ela tenta seduzir Tantun, e ele pede que ela seja apenas uma esposa desesperada como ele descreve nos jornais.
Tantun pergunta ao Dr. Hilton, se Leo agüentaria uma semana. O médico diz que sim.
Smollett, chefe da equipe de salvamento propõe salvar Leo entre 12 a 16 horas reforçando as paredes da caverna e entrando pela parte superior. Tantun e o Xerife o impedem, e o ameaçam perguntando se ele quer voltar a ser motorista. Smollett aceita, mesmo a contragosto, a fazer o trabalho levar sete dias para ser concluído.
Ao se dar conta da precariedade da saúde de Leo, que está com pneumonia, diagnosticada pelo Dr. Hilton. O jornalista tenta voltar atrás, porém o senhor Smollett diz que devido ao uso da escavadeira não poderia mais reforçar as paredes da caverna e tentar o resgate da forma que era mais rápida, pois o risco de desabamento era muito maior.
Leo Minosa morre faltando poucos metros para ser resgatado no dia que completava cinco anos de casamento. As pessoas começam a deixar o local e a vida volta ao normal em Escudero.
Tantun diz: “Eu não faço com que as coisas aconteçam, apenas escrevo sobre elas”. Porém o que ele mais fez foi mudar o rumos dos acontecimentos, além de escrever sobre os mesmos.
O filme mostra as últimas conseqüências de extrapolar os limites entre informação e manipulação.
Em 2010 o acidente no Chile que soterrou 33 mineiros há 700 metros de profundidade por dois meses, poderia ter um desfecho parecido. Inicialmente se dizia que o resgate seria feito apenas no natal, mas o resgate ocorreu bem antes, em 13 de outubro de 2010, sendo transmitido ao vivo por redes de televisão do mundo todo, com mais de mil jornalistas.
Qualquer semelhança com a ficção pode ser mera realidade!

Resenha filme: "O informante"

O filme mostra a delicada relação entre o jornalista Lowell Bergman, produtor do programa 60 Minutos da rede norte-americana CBS, com o informante, Jeffrey Wigand, ex funcionário da empresa de tabaco Brown & Williamson.
Lowell Bergman recebe um documento da Philip Morris sobre propensão à combustão e decide buscar Jeffrey Wigand por ser um especialista no assunto.
Wigand, cientista despedido da empresa, havia assinado um termo de confidencialidade de informações, em troca de manutenção de benefícios trabalhistas, como seguro-saúde, algo que ele considera importante, por ter esposa e duas filhas, uma delas asmática. Ele é procurado insistentemente pelo jornalista Bergman, que sente que ele deseja falar, e o pressiona a revelar informações. O cientista, dividido entre o interesse público das informações que detém e o bem-estar de sua família, passa a se sentir pressionado pelo poderes da mídia, da indústria tabagista, mas principalmente por sua própria consciência. Por ter trabalhado anteriormente no ramo de saúde, e ter entrado na indústria tabagista para ter um salário melhor, Wigand trocou empresas que valorizavam a pesquisa e o pensamento criativo como valores essenciais, pela cultura de comercialização e vendas da indústria de cigarros.
A informação em questão é a manipulação feita pelas empresas tabagistas para aumentar rapidamente a dependência da nicotina nos fumantes, usando componentes químicos como a amônia, num processo chamado reforço de impacto.
Em julgamento, os sete representantes das empresas de cigarro alegaram desconhecer que a nicotina causasse vício. Essas empresas bancam a impunidade, contratando os maiores e melhores advogados, que sempre vencem.
Ao se colocar como fonte, o cientista, com medo de ser usado e abandonado falido com o problema, questiona se ele é apenas mercadoria para o jornalista, que usa apenas palavras. Este responde que ele é importante e que para as emissoras todos são mercadoria, e que sustenta as palavras com ações.
Mesmo sendo ameaçado de várias formas, Wigand decide falar. Após gravação da entrevista, a CBS, seguindo o princípio de quanto maior a verdade, maior o dano, passa a temer prejuízos financeiros como processos judiciais e corte de publicidade, e decide não exibir a entrevista. Lowell fica dividido entre o desejo de divulgar informações de interesse público, e os interesses comerciais da rede CBS, para a qual trabalha.
A Brown & Williamson percebe que Wigand não cede e passa a atacá-lo. Seus erros como homem, passam a ter um peso muito maior quando ele é detentor de uma informação importante. A veracidade de seu depoimento fica comprometida pelos ataques à sua personalidade, por ele ter uma multa de trânsito, ser acusado de agressão à ex mulher, e até o cancelamento do pagamento de um abridor de latas, que ele dizia ser uma porcaria, foram interpretados como roubo. Todas essas acusações formaram um documento de 500 páginas. Essa ação demonstra claramente como a grande indústria pode influenciar a mídia, que tem o poder tanto de construir quanto o de arruinar e desacreditar. E a imparcialidade jornalística, que deveria ser uma regra, vai para segundo plano, diante de interesses comerciais.
Ao ouvir sobre liberdade de imprensa, Lowell diz que a imprensa é livre para quem é dono dela. Ele se demite logo após a exibição da entrevista de Wigand, por sentir que não poderá assegurar proteção aos próximos informantes.
A indústria tabagista age de forma antiética pensando apenas em lucros, deixando de lado as vidas que se perdem, responsabilizando os usuários, que sofrem por suas manipulações químicas.
Lowell e Wigand demonstram que a ética é uma só, seja na vida pessoal ou no trabalho. E sofrem para conciliá-la entre os ambientes.

Retrospectiva 2010

As águas foram implacáveis. Deslizamentos de terra causaram mais de 50 mortes em Angra dos Reis – RJ. A chuva também destruiu São Luiz do Paraitinga, castigou Alagoas e Pernambuco. No final do ano foi a vez de Minas Gerais e Espírito Santo.
Algo que provocou grande comoção popular foi a prisão de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, condenados pela morte de Isabela Nardoni. O povo comemorou nas ruas com fogos de artifício.
Na política, destaque para mulheres e um palhaço: Dilma Roussef - PT foi eleita primeira mulher presidente do Brasil. E outra mulher, Marina Silva - PV conquistou 20 milhões de votos. O humorista Tiririca com seu bordão "Pior que tá não fica" obteve a segunda maior votação da história, sendo eleito para deputado federal por São Paulo.
No futebol, a Espanha venceu a Copa do Mundo de futebol pela primeira vez. O Brasil foi desclassificado nas quartas de final, perdendo de 2X1 para a Holanda, com ajuda do desequilíbrio do jogador Felipe Melo. Quatro seleções que contavam com torcida do cantor Mick Jagger perderam. O polvo Paul roubou a cena acertando os resultados dos jogos.
O maior resgate da história da mineração: os 33 mineiros do Chile, que sobreviveram dois meses há 700 metros de profundidade. Salvos de uma situação real que lembrava a ficção, a tentativa de resgate de Leo Minosa, no filme "A montanha dos sete abutres".
O terremoto no Haití deixa mais de 220 mil mortos, entre eles Zilda Arns, presidente da Pastoral da Criança. O mundo se emocionou com a garra dos sobreviventes, entre eles um haitiano de 28 anos, resgatado dos escombros com vida, quase um mês depois do terremoto.
Esses foram alguns dos fatos de 2010 que abalaram o Brasil e o mundo.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Aldeia Indígena Guarani Krukutu recebe visitas pré-agendadas



Acima Luiz Carlos Karai e abaixo Olívio Jekupê

A Associação Guarani Nhe´ê Porá viabiliza vários projetos com objetivo de manter a sustentabilidade da aldeia. Um deles é a organização das visitas que podem mostrar: canto, dança, culinária, trilhas, palestras, e principalmente comprovar que a Cultura Guarani resiste, mesmo com dificuldade de manter atividades tradicionais de caça e plantio no mundo moderno.
Olívio Jekupê e Luiz Carlos Karai Rodrigues, respectivamente Presidente e Secretário da associação recebem os visitantes. Ambos são escritores. Olívio é autor dos livros: Leópolis Inesquecível, 500 anos de angústia, O saci verdadeiro, Iarandu o cão falante, Xerekó arandu a morte de Kretã, Arandu Ymanguaré (Sabedoria Antiga), Literatura escrita pelos povos indígenas e Indiografie, que lançado na Itália. Luiz é autor do livro "Massacre Indígena Guarani".
Os livros, junto com o artesanato que eles produzem, são vendidos na sede da associação dentro da aldeia e ajudam a geração de renda. Olívio e Luiz Carlos Karai possuem blogs, e também saem da aldeia para fazer palestras em diversos locais.
Em uma das visitas, Olívio falou sobre vários temas, entre eles, preservação ambiental. “Se ainda há 11% do total da floresta que havia no Brasil é por causa das aldeias e reservas. Dizem que índio não faz nada, índio não produz. Nós produzimos o que é mais importante: água e oxigênio, por não destruirmos a mata!”, declarou.
Olívio, sempre com muito bom humor alertou “Índio não é caminhão de melancia que é tudo igual, tem diferenças de língua, artesanato, cultura. Nós da etnia Guarani somos cerca de 40 mil. Há etnias menores de até 100 pessoas”.
Passado e presente convivem lado a lado: a Associação Guarani Nhe´ê Porá possui um computador e um orelhão público em frente, o Centro de Educação e Cultura Indígena (CECI), um posto de saúde e a casa de reza feita de taipa em pau a pique.
Não há músicas, autores e atores indígenas nas paradas de sucesso, e quando são representados pelos brancos sempre há uma dose de preconceito por parte da mídia. Olívio alertou que filmes como “Caramuru - A Invenção do Brasil”, retratam índios como preguiçosos. “O sistema faz o branco trabalhar muito, ele quer diminuir horas de trabalho. No fundo o homem branco gostaria de viver como o índio!”, completa.
O protagonismo dos índios escritores ajuda a mostrar outro lado da história, além da versão contada pelos brancos há mais de 500 anos. É importante que sua cultura, que sempre foi passada oralmente, hoje possa ser escrita, gravada e fotografada, para aumentar seu alcance e a duração.
Serviço:
Para agendar uma visita clique aqui
Ou ligue (0xx11) 5977-0025
Para ver mais fotos da aldeia visitada clique aqui

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Dica de leitura: Quadrinhos da iraniana Marjane Satrapi


Autora dos livros: Bordados, Frango com Ameixas e Persépolis.
No livro “Persépolis”, Marjane ilustra estórias de sua vida no Irã, desde os seus dez anos de idade, quando presenciou as mudanças provocadas pela revolução islâmica em 1979, e anos depois, a guerra entre Irã e Iraque fez com que sua família a enviasse aos catorze anos para viver na Aústria.
Persépolis foi adaptado para o cinema em 2007, e recebeu uma indicação ao Oscar de melhor filme de animação.
O livro “Bordados” é a ilustração de um bate papo bem humorado da avó de Marjane com mulheres diferentes, cercadas pelo machismo, tradições e preconceitos. A expressão bordado seria como o nosso tricô e ainda tem outro significado: da cirurgia de reconstituição do hímem.
O livro “Frango com Ameixas” é sobre Nasser Ali, tio de Marjane, músico que após ter o seu tar (instrumento de cordas) destruído pela própria esposa sai em busca de um novo. Essa busca o remete as diversas escolhas que ele faz na vida, entre elas o casamento.

Analisando meios de comunicação de massa nas músicas do Los Hermanos

E até quem me vê lendo o jornal
Na fila do pão, sabe que eu te encontrei
Música: Ùltimo Romance

E só de te ver eu penso em trocar
A minha TV num jeito de te levar
Música: Ùltimo Romance

E tira o som dessa TV
Pra gente conversar
Música: Além do que se vê

Talvez se nunca mais tentar
Viver o cara da TV
Música: Cara Estranho

Acha alguma coisa nova na TV
O que não pode ter
Música: Um Par

Vai chover de novo,
deu na TV que o povo já se cansou de tanto o céu desabar
Música: Santa Chuva

Fiz aquele anúncio e ninguém viu
Pus em quase todo lugar
Música: Do sétimo andar

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Desabafo de um dia de trabalho

Todo dia luto contra o cansaço para levantar e enfrentar os meios de transporte lotados, o trânsito parado. Eu chego no trabalho cansada, o dia mal começou e inicio mais lutas contra a má educação e grosseria das pessoas.
O dia inteiro é uma batalha contra o relógio. Tudo é cronometrado: tempo de café, tempo de almoço, banheiro, elevador...
Ao meu redor as pessoas não dividem informação. Só dividem as tarefas mais simples. Elas têm medo que você aprenda as coisas e possa ocupar o lugar delas. No mundo delas não há espaço para todo mundo.
A pessoa sai da mesa dela e vem até a minha mesa dizer onde devo guardar cada coisa. Ela grita dizendo que tudo está errado. A vontade dela era fazer isso com todos os outros funcionários da empresa, porque tudo sempre deve ser do jeito que ela quer o tempo todo.
Não posso interromper a pessoa que fala, mas também não posso demorar mais que três segundos para respondê-la, sem que ela me chame de desligada e distraída.
Por alguns segundos eu perco o medo que me cala, e digo a ela que não respondo nada sem pensar.
Se você passa mal, ela levanta e antes de perguntar se você está bem, ela pergunta se você não vomitou em nenhum documento. Aí ela te leva ao banheiro. Você vai em direção à pia querendo molhar o rosto e ela te empurra na direção da privada. Ela escolhe o hospital que você deve ir. Mesmo quando te ajuda tem que te manipular, tem que ser do jeito dela.
Outra pessoa segue os passos dela. Já começa a dar sermão se for interrompida ao falar. Se você chega perto da mesa dela, por uma necessidade do trabalho, ela diz para não encostar em nada, e ficar perto de outra mesa.
O dia a dia no trabalho deveria ser simples. As pessoas deveriam ser simples. Mas não são. Você precisa trabalhar para sobreviver. Você precisa se calar quando tem vontade de mandar todo mundo para o inferno. Você escreve para desabafar, antes que toda essa pressão exploda dentro da sua cabeça.

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