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segunda-feira, 15 de março de 2010

Erros

Erros acontecem todos os dias em todos os lugares. Eles podem ter diversas consequências: um erro médico pode provocar uma morte, uma escolha errada pode fazer você perder quatro anos de sua vida numa faculdade com a qual você não se identifica, um erro pode fazer alguém perder uma fortuna de 53 milhões. Foi o que aconteceu em 20 de fevereiro numa lotérica em Novo Hamburgo (RS), a funcionária esqueceu de registrar a aposta de um bolão da loteria, os seis números dessa aposta foram sorteados no concurso 1.155, porém como não houve registro não há direito ao prêmio.
Mais do que dinheiro e tempo, o que os erros podem fazer a gente perder?

domingo, 15 de novembro de 2009

Apagaram se as luzes, acenderam se as velas!


Ruas escuras, semáforos desligados, buzinas, batidas, metrô e trens parados, ônibus lotados, pessoas em desespero tentavam se comunicar com familiares pelos telefones celulares, nem sempre com sucesso, devido à sobrecarga da rede pelo excesso de ligações. Esse cenário que presenciei em São Paulo poderia facilmente se repetir nos outros 17 estados do Brasil, prejudicados pelo apagão que ocorreu a partir das 22:10 da terça feira 10 de novembro de 2009.

Até o momento a causa desse tormento ainda não foi esclarecida. O governo acredita que a falha poderia ter sido causada por um raio. Especialistas defendem que as três possibilidades de causa foram: defeito físico na rede de transmissão, sobrecarga do sistema e falha humana na gestão do sistema de energia.

A oposição aproveita a oportunidade para comparar esse apagão ao ocorrido em 2001. Mas o que aconteceu naquele ano foi falta de energia nas regiões sudeste e centro oeste, enquanto a região sul tinha energia sobrando, mas a capacidade de transmissão não suportava o fluxo excedente. Dessa vez o problema não foi falta de energia. Mas o sistema é integrado, algo que além de ser econômico tem o ponto negativo de espalhar a falha rapidamente pelo país.

Quem estava na rua correndo perigo nessa situação pouca se importa se o motivo é natural ou estrutural. Pessoas morreram em tentativas de assalto. Muita gente dormiu em terminais de trem com medo da violência nas ruas. Assaltantes promoveram arrastões na região central de São Paulo, perto da estação Anhangabaú do metrô.

Durante o apagão, que em algumas regiões durou até as 04h00 da manhã do dia seguinte, as pessoas buscavam notícias pelo ocorrido no rádio e pela internet, por meio de celulares e notebooks até que as baterias se esgotassem. Quem defendia que um meio de comunicação substituiria outro não contava com a precisão do rádio em momentos como esse. O twitter ferramenta de microblogs da internet, serviu de comunicação principalmente para quem estava no trânsito com celular na mão postando informações que enfrentavam nas ruas.

Os radares funcionaram normalmente, e os cidadãos que correram nos carros com medo de assaltos, vão ter que recorrer e se justificar para a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Outros depois da falta de energia tiveram que enfrentar os congestionamentos , com as panes nos semáforos e o retorno do rodízio. Em algumas regiões, além da falta de luz, o apagão também causou falta de água, provocada pela paralisação do funcionamento de estações de bombeamento.

As velas que sobraram do dia de finados foram muito úteis para combater a escuridão nos lares , e as que sobraram serão úteis nas nossas orações para que outro apagão desses não nos aconteça tão logo! Pois ainda há muita coisa para se consertar depois desse transtorno...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Ônibus queimados em protestos prejudicam a própria população

No dia 26 de agosto no bairro do Jaçanã, na zona norte de São Paulo, foram queimados três ônibus, como manifestação da comunidade local pela morte de um jovem de 20 anos. A Polícia Militar diz que ele era traficante, e que houve troca de tiros. A mãe do rapaz diz que ele não estava armado, e estava fugindo quando foi alvejado pelos disparos.
Menos de uma semana depois, no dia 31 de agosto na favela de Heliópolis, na zona sul de São Paulo, pessoas incendiaram sete veículos, entre eles três ônibus, dois micro-ônibus e dois carros, como protesto pela morte de uma adolescente de 17 anos. A garota foi atingida com uma bala perdida durante a perseguição de guardas-civis de São Caetano a suspeitos em um carro roubado.
Não sou contra a população manifestar seu descontentamento diante das atitudes, muitas vezes despreparadas e precipitadas da polícia. Entretanto, desaprovo a forma como são feitos esses protestos. Incendiar ônibus é um ato que prejudica a própria comunidade, que vai utilizar o transporte cada vez mais lotado, diminui o número de lugares para sentar. Carros a menos nas linhas atrasam as viagens. Motoristas e cobradores perdem seus empregos. Bombeiros se deslocam de outras ocorrências para apagar o fogo. Esses incêndios fecham ruas, fazem com que os trabalhadores se atrasem para o trabalho, estudantes se atrasem para as escolas. Pessoas demoram mais tempo para chegar em suas casas. Aumenta o cansaço das pessoas com a viagem, cresce o medo de serem feridas durante a confusão. Outros preferem dormir na casa de amigos e voltar depois que tudo se acalmar. Enfim, altera a rotina de todos.
As pessoas devem encontrar formas mais assertivas de expor suas revoltas e necessidades para as autoridades. Devem se reunir, elaborar abaixo-assinados. Colocar no papel as ações que desejam e não aprovam em suas comunidades. Levar tudo documentado para a Câmara e Prefeitura Municipais. Devem tentar chamar a atenção de forma organizada, participativa, sem ameaçar o bem estar e a segurança de todos, sem responder a violência recebida da polícia com mais violência que só prejudica os moradores dessas regiões.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Estreia hoje “Coração Vagabundo”, documentário sobre Caetano Veloso, do diretor Fernando Grostein Andrade

Fernando Grostein Andrade esteve num bate papo com a plateia após a exibição de seu documentário no Cine Bombril em 21 de julho de 2009. Atualmente com 28 anos, ele começou o documentário com 23. Nada foi planejado. Tudo começou quando ele enviou “De Morango”, curta metragem, produzido por ele em 2003, para mais de 30 produtores, entre eles, Paula Lavigne. Ela respondeu e o convidou para dirigir o clipe de “Você não me ensinou a te esquecer”, do filme “Lisbela e o Prisioneiro”, depois o DVD “Foreign Sound” da turnê de Caetano Veloso cantando em inglês, cujo making off originou o documentário que exibe a rotina de Caetano durante os shows no Estados Unidos e Japão.

Segundo o jovem diretor, duas situações motivaram o documentário:
“Em São Paulo escutamos a expressão ‘baianada’ para designar uma coisa errada ou cafona. Essa expressão me incomoda, ver algo inédito como a homenagem a Caetano no Carneggie Hall, que exibiu o show dele durante uma semana. Isso é sofisticado, é baianada!”, desabafa Fernando que tenta mostrar que o trabalho do cantor baiano chegou na Ásia e Europa, além da América.

Sobre a contradição que Fernando sentiu no depoimento de Caetano, após a entrevista no programa de Charlie Rose, quando o cantor não se sentiu à vontade porque cresceu em Santo Amaro até os 18 anos e não era de São Paulo, mesmo sendo brasileiro famoso que canta em inglês em uma turnê internacional.

Fernando comentou que, ao mesmo tempo, que a equipe reduzida proporcionou mais intimidade, pois havia no máximo duas câmeras. Os poucos recursos de estrutura fizeram com que ele tivesse dores nas costas e emagrecesse nove quilos na turnê no Japão, porque filmava de costas e nos vôos, muitas vezes sem Caetano perceber.

O documentário passou por 80 cortes até a versão final. Fernando disse que quis fazer “edição democrática”, teve ajuda de Guilherme Wisnik e Giuliano Cedroni para a difícil missão de transformar 57 horas de material bruto em 60 minutos de filme.

Quando questionado sobre a reação de Caetano, que esteve na pré estreia. Fernando disse que as palavras do cantor na mídia foram boas, que ele disse ter curtido, apesar de não gostar de se ver em vídeo. “Não que alguém vá fazer um documentário sobre mim, mas se fizessem eu não estaria presente na estreia como Caetano esteve”, cometa o diretor bem humorado.

Fernando revela que o encontro com Pedro Almodóvar, além de mostrar a força de Caetano na Europa, foi orgulho para ele como estudante de cinema. Almodovar revelou que Paula Lavigne, “barroca e exagerada”, serve de inspiração para criar suas personagens. Ele também explica porque colocou Caetano cantando Cucurrucucu Paloma no filme “Hable con ela”.

Paula Lavigne não queria que fosse exibido o trecho em que o diretor espanhol a elogia, com medo que as pessoas interpretassem que ela queria se promover. Porém, ela e Caetano respeitaram o ponto de vista de Fernando, que manteve o comentário.

Outro diretor de cinema que é mostrado no documentário é o italiano Michelangelo Antonioni. A idéia de mostrá-lo surgiu quando Caetano comentou sobre o filme: “O passageiro”, Fernando entrou em contato com a esposa dele, Enrica, durante 6 meses para convencê-la a deixar que Antonioni que teve derrame e não falava participasse do filme. Ele faleceu em 2007.

Sobre influências, Fernando conta que diretor alemão Wim Wenders influenciou as cenas gravadas nos trens no Japão, Brasil e Estados Unidos, o ambiente do trem onde as pessoas viajam cansadas era em comum entre os países. E a câmera balançando foi motivada pelo documentário “Os Rolling Stones – Gimme Shelter”.

Os projetos futuros de Fernando Grostein são: um longa de ficção sobre a coexistência de árabes e judeus, um DVD de Fafá de Belém cantando Chico Buarque, o roteiro de um filme de ação e outro documentário, que segundo ele “ainda é cedo para falar”.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Resenha do livro: A mulher do próximo – Uma crônica da permissividade americana antes da era da AIDS - Gay Talese, Companhia da Letras, 1980, 483 pág.

O livro retrata a mudança de comportamento da sociedade nos EUA, nas décadas de 60 e 70, em relação ao sexo, moral e censura. Publicado em 1980, nos EUA pelo jornalista norte americano Gay Talese, escritor de destaque do movimento conhecido como “Novo Jornalismo”, que acrescenta técnicas literárias dando mais detalhes e profundidade ao jornalismo. Talese trabalhou 12 anos no jornal “The New York Times”. Detalhista, ele ainda utiliza máquina de escrever e fichas de anotações. Declarou que não confia na internet e é avesso ao gravador. Foi um dos destaques da FLIP- Feira Literária de Paraty, realizada de 1 a 5 de julho de 2009.

A época retratada pelo livro foi o período do pós guerra, quando os homens voltaram para seus empregos anteriores, depois de terem sido substituídos pelas mulheres, que saíram do lar para o mercado de trabalho. Pela primeira vez na história, elas se equipararam aos homens em valores salariais. Outros fatores que contribuíram para o aumento da liberdade sexual foram as descobertas da penicilina e da pílula anticoncepcional.

O livro mistura diversos personagens reais, entre anônimos e famosos, mas o autor não esconde que seus preferidos são os desconhecidos. Ele conta histórias de pessoas comuns convivendo com a sexualidade aberta, o ambiente, os freqüentares, curiosos e/ ou adeptos de nudismo e troca de casais como os casais Bullaro e os Williamson, em locais como Sandstone e Oneida. A biografia da revista Playboy de Hugh Hefner. A luta de grupos religiosos puritanos e editores liberais nos julgamentos e leis sobre pornografia de livros, filmes e revistas. O livro termina com o autor

Em três anos de pesquisa, Talese não havia escrito uma linha sequer. O livro demorou nove anos para ser concluído. O autor foi aos julgamentos, procurou autores liberais, censores retrógrados e representantes puritanos. Fez muitas viagens, entrevistas que foram gravadas e transcritas, algumas repetidas mais de cinqüenta vezes.

Talese teve tempo para obter a confiança e autorização dos personagens para usar suas estórias, seus verdadeiros nomes, e até mesmo ter acesso aos diários, como o de John Bullaro, e os que ele solicitou que as atendentes das casas de massagem escrevessem para que ele delimitasse os tipos de clientes, já que o próprio Talese trabalhou voluntariamente como gerente nesses locais. Algo que ele revela no final do livro, se apresentando como um dos personagens, que tanto se aproximou dos seus objetos de pesquisa. Ele detalha as dificuldades, as muitas críticas recebidas e até a crise em seu casamento com a agente literária Nan Talese.

É uma obra imprescindível não apenas sobre a liberdade sexual, mas também sobre as pessoas e os fatos que propiciaram a redefinição de moral na sociedade americana.

O livro também é uma aula de jornalismo sobre pesquisa, apuração e participação ativa de Gay Talese, que aos 77 anos, pretende escrever o próximo livro sobre os 50 anos de seu casamento a partir das cartas indignadas escritas por sua esposa.

sábado, 11 de julho de 2009

4º Jornalirismo Debate: Jornalismo Cultural

Os jornalistas: Eliane Brum, Pedro Bial, Daniel Piza, Sérgio Vilas Boas e o poeta Allan da Rosa foram os debatedores do "4º Jornalirismo Debate: Jornalismo Cultural", promovido pelo Senac em 26 de maio de 2009, das 19:00 às 22:30, no Senac lapa na Rua Scipião. A entrada era um quilo de alimento não perecível.
Sobre a prática do jornalismo, Eliana Brum declarou:"Duvide das próprias certezas. Ir à rua fazer reportagem é um ato de resistência. Por telefone e email só há pobres palavras. Não podemos ver os olhos, o rosto, a expressão. Tudo é informação! Gesto e silêncio são tão importantes quanto as palavras! Por meio deles, as pessoas continuam dizendo e nos fornecendo informações".
Pedro Bial sugeriu a leitura de livros de jornalismo literário, estilo que mescla no jornalismo técnicas da literatura, trazendo mais profundidade e detalhes ao texto.
Segue a lista:
-A sangue frio, de Truman Capote
-Os sertões, de Euclides da Cunha
-Estação Carandiru, de Dráuzio Varella
-Os Irmãos Karamabloch, de Arnaldo Bloch
-O jornalista e o Assassino, de Janet Malcolm
- As aventura de Tintin, de Hergé
- As revistas: Piauí, New Yorker e Carioca
-O jornalismo em quadrinhos de Joe Sacco
- O trabalho dos jornalistas: Gay Talese, Robert Fisk e Hunter S. Thompson

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Jornalismo não importa a faculdade, cada um se faz repórter



Marcos Zibordi jornalista da imprensa alternativa dá palestra aos alunos do curso de jornalismo do Centro Universitário Sant’ Anna

O repórter da revista Caros Amigos Marcos Zibordi deu uma palestra descontraída sobre sua experiência de 10 anos como repórter para os alunos do curso de jornalismo no Centro Universitário Sant’ Anna, em 28 de abril de 2009. Marcos falou do processo de produção da reportagem publicada em janeiro de 2008 “São Paulo, 454 anos meus pêsames” desde o surgimento da idéia, quando o jornalista viu uma notícia na televisão sobre o uso de chips para rastrear veículos “nem todo mundo acha isso absurdo, outros podem concordar, não pretendo dizer a “verdade”.
Zibordi usou exemplos para falar das diferenças entre reportagem e jornal diário: “O jornalismo diário se impõe, é uma cadeia de repetição. Reportagem leva a fundo uma parte. O que é verdade? Realidade? Recorte parcial, cada um acha o seu, investigar te leva a descobrir coisas. A reportagem parte de você, é leitura contextual, obrigação de amplitude de visão maior”.
Fica evidente na fala de Zibordi sua consideração pela diferença que cada um faz na própria vida: “Jornalismo não importa a faculdade, cada um se faz repórter. Dou aula na Universidade Bandeirante (Uniban), algumas pessoas criticam, mas eu procuro dar a melhor aula”.
Zibordi fala das responsabilidades e atribuições da profissão. “Sou repórter há 10 anos. É preciso maturidade para lidar com um grande número de informação. A experiência possibilita edição das melhores estórias, fórmulas de dizer mais escrevendo menos, jornalismo é texto de precisão. Escrever fica cada vez mais difícil, você desenvolve olhar crítico, enxerga melhor o texto. Hoje vejo meu trabalho antigo e acho ridículo. É aprendizado contínuo, reescrever milhões de vezes, escrita é a busca pela possibilidade de fazer melhor.”
Sobre a experiência de entrevistar, Zibordi aconselha: “entrevista é diálogo pessoa com pessoa, não se chega perguntando, tem que conquistar, não pode se afobar, eles já deram milhares de entrevistas, 95% foi ruim, conversa tem que fluir deixa o entrevistado falar”.
A palestra foi aberta para que os alunos fizessem perguntas ao jornalista. “Quais foram as fontes da reportagem panorama das cotas em universidades?”, questiona Marcela Silva, aluna do terceiro semestre.
“Telefonei para o Ministério da Educação (MEC) e eles não sabem quantas faculdades tem cota no Brasil. Jornalismo é trabalho braçal. Telefonei para 40 instituições de ensino para ver quem poderia responder as perguntas. A matéria foi difícil de fazer pela diferença entre medições das instituições de ensino”, respondeu Marco Zibordi.
“Os jornalistas vão perder espaço para os blogs?”, questiona Priscila Gomes, outra aluna do terceiro semestre.
O repórter responde: “Grandes matérias do jornalismo existem pela curiosidade. O jornalismo não vai acabar. A necessidade de informação na internet mostra que conhecimento é moeda de troca, as pessoas lêem mais e escrevem mais jornalismo sobreviveu e se adaptou a todas as novas tecnologias”.
A palestra encerra com um clima de esperança para os alunos que desejam atuar como jornalistas num futuro próximo.

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