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domingo, 18 de janeiro de 2009

Como escolhi o jornalismo ou como ele me escolheu

Como escolhi o jornalismo ou como ele me escolheu? Não sei, talvez tenha sido quando eu era pequena meu pai trabalhava e eu ficava o dia com a minha mãe e quando ela fazia algo que eu não gostasse eu prontamente dizia:
- Você vai ver eu vou contar tudo para o meu pai quando ele chegar...
Um dos indícios poderia ser o fato de que sou geminiana, signo da comunicação. Mas para as pessoas que lerem minha história e que não acreditam em horóscopo abaixo seguirão outras justificativas...
Vou falar um pouco de minha família, meu pai é uma pessoa que cresceu na agricultura e estudou até a quarta série, e mesmo assim é o maior responsável pelo nosso pão de cada dia, ele é um homem de atitude, minha mãe é muito inteligente trabalhou no INSS após passar num concurso público, chegou a iniciar o curso de psicologia antes de casar com meu pai e faz vinte e seis anos que ela é apenas dona de casa, mas que dá toda a estrutura para que eu e minha irmã possamos estudar. Hoje eu quero ter a atitude do meu pai aliada à inteligência e gosto pela leitura de minha mãe.
Sempre gostei muito de ler, eu voltava a pé da escola para comprar revistas, não conversava com meus pais sobre sexo e outros assuntos da adolescência e as revistas faziam isso por mim. Com meus catorze anos escrevi uma carta e enviei para a revista Carícia para a seção Ponto de Vista. Dias depois meu texto foi publicado e eu ganhei uma camiseta, não era um texto qualquer era um desabafo sobre a minha relação com meus pais que eram um pouco repressores.
Gosto muito de falar, escrever, ler, gosto de mostrar minhas opiniões, de explicar e ajudar as pessoas a compreenderem, gosto de divulgar informações que eu julgue serem úteis para as pessoas.
A minha arma é a palavra, se estou triste ou feliz gosto de escrever, de refletir sobre vários assuntos e compartilhar meus sentimentos e opiniões desde a violência de torcedores ao exibicionismo dos jovens nas baladas que colocam a integridade física das outras pessoas em risco.
Em 2002, um amigo meu de grupo de jovens da igreja católica criou um jornal chamado Pejotário, (por tratar de assuntos da PJ - Pastoral da Juventude) cheguei a auxíliá-lo, porém o jornal não durou muito porque o padre não gostou do "formato".
Me formei em Secretariado Executivo em 2006 na Faculdade Sumaré, essa primeira faculdade foi muito importante, pois ela me fez crescer como ser humano e como profissional, quando entrei trabalhava como operadora de caixa, tive oportunidade de estagiar em empresas públicas, trabalhei como auxiliar administrativo numa ONG, mas sempre quis viver o que estou vivendo agora, que é freqüentar o curso de jornalismo. Já fiz um teste vocacional e a maioria dos pontos apontou para essa área.
Durante a faculdade, participei de uma palestra com o jornalista, escritor e professor Paulo Nassar, autor do livro: Tudo é Comunicação. O tempo todo o jornalismo me rondava, jamais esquecerei de uma aula de língua portuguesa sobre notícia, dada pela professora Maria José Machado falecida em dezembro, como eu queira acabar logo o secretariado e entrar para o curso de jornalismo.
Também participei de uma palestra com o jornalista membro da Academia Brasileira de Letras Murilo Melo Filho no CIEE, onde foi distribuído e autografado o livro dele chamado Tempo Diferente que é uma biografia de vinte brasileiros já falecidos, porém influentes para o nosso país em várias áreas dentre eles: Rachel de Queiroz, Jânio Quadros, Juscelino Kubitschek, Getúlio Vargas, Jorge Amado, José Lins do Rego e outros. Comentei com ele o meu desejo de ser jornalista e ele me fez uma dedicatória especial que guardo com muito carinho junto com o menor jornal do mundo, Vossa Senhoria tem 3,5 cm de altura por 2,5 cm de largura que comprei na bienal do livro.
Nas primeiras aulas da Ana Vasconcelos descobri que o surgimento da imprensa (jornalismo) desagradou os escribas (que foram os primeiros secretários, o surgimento da profissão), as únicas pessoas letradas da época que viram seu cargo ameaçado... pensei em quantas reviravoltas passaram por essas profissões atualmente e uma não ameaça mais substituir a outra.
Hoje estou levando meu corpo para o lugar onde já vive o meu pensamento.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Mion, Miona e Shari


Na primeira foto Mion, Miona e Shari, na segunda foto Miona
Um dia minha mãe viu uma vizinha expulsando um gatinho filhote com pedradas, e depois ela quase foi atropelada e quando veio para a calçada, minha mãe a trouxe para casa. Nós já tínhamos um gato chamado Shari, que inicialmente ficou com ciúmes, mas com o passar dos dias ficou feliz com a companhia de outro felino, descobrimos que o filhote era fêmea e passamos a chamá-la de Miona, era início do mês de novembro de 2007.
Miona, siamesa de olhos azuis cresceu, foi castrada, ficou comprida e magrinha, pêlos longos, medrosa, porém dócil.
Alguns meses depois, um dia eu estava na janela e pensei ter visto a Miona no meio da rua e chamei, o gato que estava no meio da rua veio para o meu portão, foi assim que descobri o equívoco: o gato que atravessou a rua não era a Miona porque ela estava do lado de dentro do portão, então vi os dois gatos juntos e notei que eram muito parecidos, os dois siameses de olhos azuis, exceto por esse gato ser macho e ter o rabo mais curto, pêlo mais curto e crespo e a Miona ser fêmea e ter o pêlo mais macio e longo.
Avisei meus pais que eu me enganei. Só que esse gato pulou o portão e veio para o quintal e não queria mais sair, e foi por sua insistência que ele ficou e passamos a chamá-lo de Mion, seu ato maior de insistência foi se pendurar numa roupa no varal para alcançar a janela do banheiro onde ficou miando.
O Mion sempre foi muito carinhoso, gosta de ficar perto da gente em casa, mexer no nosso cabelo. Ele cresceu, também foi castrado e engordou, enquanto a Miona permaneceu pequena e magrinha. Shari, o gato mais velho é preto e branco, grande e gordo. No início, Mion e Miona brigavam muito, mas depois os três gatos se uniram, dormiam e comiam juntos. Cada um com sua personalidade.
Desde o dia 05/01/2009, a Miona sumiu de casa, dói não saber o que aconteceu e imaginar o que pode ter acontecido com ela, se ela está viva ou morta, se foi levada, se comeu algo envenenado...pensar em qualquer uma dessas alternativas me deixa muito triste!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Club Ice a balada que é uma fria

Numa noite de sábado decidi ir para a balada com duas amigas, tinha recebido na porta da faculdade durante a semana o folder de um local chamado Club Ice, uma balada nova na Av. Luiz Dumont Villares, nós decidimos ir para lá, ao chegar à porta do local, os seguranças olharam para nós e disseram que eu não poderia entrar de tênis (eu estava de tênis e as meninas estavam usando botas), eu respondi que eles deveriam alterar o folder e incluir essa informação, as meninas ainda tentaram conversar, e eu disse que faria alguma coisa, um dos seguranças parecia irônico quando disse: “ah então você vai processar a casa?” Eu falei para as meninas que se elas quisessem ficar por mim tudo bem, eu iria para casa, elas não quiseram ficar, sai de lá muito chateada quase chorando porque o meu tênis de uma marca conhecida mundialmente, que pode ter sido feito por escravos na China, uma marca símbolo da globalização e tantas outras coisas não poderia entrar naquele local. Fiquei chateada achei uma sacanagem você vai para um lugar paga estacionamento e quando chega até a portaria é vítima de uma restrição tão idiota, eu sei que em alguns lugares não pode entrar de boné, de bermuda, de camisa de time, que poderia ocasionar alguma discussão, mas nunca ouvi falar em restrição de tênis! Eu acho até bem mais seguro estar de tênis do que com um salto agulha, a diferença é gritante quando a gente leva uma pisada de tênis e uma pisada de salto agulha...
Saímos de lá, atravessamos a rua, e fomos na Taberna de Sherwood, que nos proporcionou um ótimo atendimento, ao contrário do Club Ice, no site eles colocaram essas restrições, mas no folder não havia nada escrito.Sei que como cidadã, eu tenho direitos, por mais que não os conheça, e na hora que isso aconteceu eu não tomei nenhuma atitude por falta de conhecimento, quis fazer alguma coisa para que eles colocassem essa informação no folder para que outras pessoas não percam a viagem indo até lá, cheguei a mandar um e-mail no site da casa e nunca obtive resposta.
Depois perguntei ao meu professor de ética, o que eu poderia ter feito, ele disse que se eu chamasse a polícia eu teria entrado.
Bom, agora eu já sei e divido com vocês o que fazer numa situação dessas
Tem uma frase usada em estabelecimentos que diz o seguinte: “Se você foi bem atendido fale para os amigos, se foi mal atendido fale com a gerência”.
Eu falo para todos que não gostei do atendimento e que nunca obtive nenhuma resposta da gerência do Club Ice, a balada que para mim foi uma fria.

Como os nossos pais

Um domingo em família, visita da minha avó de 88 anos de idade, mãe do meu pai, ela teve ao todo 12 filhos, vale lembrar que naquela época não havia pílula contraceptiva, nem televisão, que chegou ao Brasil em 1950, ano que meu pai nasceu.
Vejo minha avó caminhando devagar, sempre com alguém com perto, demora um pouco para subir as escadas, coisa que eu faço o dia inteiro normalmente, vejo que ela diminuiu alguns centímetros de altura, usa óculos para auxiliar a visão, remédios para controlar a pressão.
Eu me sinto tão frágil e medrosa, mesmo que eu ainda esteja longe das condições de saúde dela, fico imaginando se conseguirei ter um filho um dia, ainda não me sinto preparada de nenhuma forma: física, psicológica e financeira.
Olho para ela como uma árvore que deu sementes, cada semente continuou o processo de se transformar em árvore e lançar suas sementes e assim por diante...
Dessas sementes, os filhos dela, dois morreram e os outros tiveram um número menor de filhos, reflexo da melhora ao acesso de métodos contraceptivos, meu pai, por exemplo, teve duas filhas.
Quando nós somos crianças, geralmente não pensamos em futuro distante, se ficaremos como nossos pais e avós, a gente só quer saber o que vai ganhar de aniversário e no natal. Conforme vamos crescendo, outras preocupações e pensamentos passam a nos visitar e percebemos que já fomos carecas, sem dentes, bebês, crianças e que tudo isso ainda vive dentro de nós. Um dia você que era filho passa também a ser pai, um tempo depois pode ser avô... eis o ciclo da vida!
Penso na vida da minha avó, que não teve possibilidade de controlar o número de filhos, entre outras coisas que ela não pode escolher, ou, simplesmente não teve acesso, penso na minha vida tão cheia de escolhas... E, que apesar das mudanças, muitas coisas permanecem iguais na essência, os filhos, por exemplo, podem ser muitos ou poucos, hoje podem ser feitos em laboratório, mas ainda precisam de um útero para crescerem, assim como foi com nossos antepassados.
E mesmo que muitas coisas tenham surgido da época dela até hoje, muitas coisas continuarão a surgir, então penso numa frase de uma música da Elis Regina: ...ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais...

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Os fatos de 2008 e os excessos da mídia

Ano em que comecei a estudar jornalismo, ano em que pai e madrasta foram acusados de jogar menina Isabella da janela de um edifício em São Paulo, notícia que foi mostrada meses quase como uma minissérie, ano em que seqüestrador foi entrevistado e as cem horas do seqüestro em Santo André foram mostradas como uma novela na qual a jovem Eloá, cujo pai era acusado de assassinatos no estado de Alagoas, foi morta pelo namorado e seus órgãos salvaram sete vidas. Ano em que Barack Obama, primeiro negro eleito presidente nos Estados Unidos, ano que um jornalista não acertou duas tentativas de arremesso de sapato no presidente George W. Bush. No Brasil enchentes vitimaram muitas famílias, houve solidariedade de muitas pessoas e desonestidade no roubo de doações, cenas reais de um supermercado saqueado em Santa Catarina me lembraram cenas do filme: Ensaio sobre a cegueira, de Fernando Meirelles. Ano de eleições para prefeito, ano em que o mercado internacional sofreu uma enorme crise, que repercutiu por aqui em muito desemprego, ano de olimpíadas na China. Ano de lei seca e muitos acidentes pelo excesso de bebida. E os fatos que marcaram tantas vidas que não renderam notícias, audiência? Quantos crimes esquecidos? Quantos exemplos de exagero e interferências negativas a mídia nos deu nesse ano? Definitivamente não é esse tipo de jornalismo que eu quero seguir como telespectadora e muito menos como futura profissional.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Anotações II Seminário Internacional Rumos Jornalismo Cultural. Tema: Novo “novo jornalismo”
















Na foto João Paulo Cuenca (mediador), e Andrew Leland (EUA) e Júlio Villanueva Chang (Peru)

taú Cultural 05/12/2008 –19:30 - Novo “novo jornalismo”

Andrew Leland é jornalista norte-americano, editor-chefe há cinco anos da revista mensal de artes e literatura The Believer, baseada em San Francisco. Também dirige o selo de livros Believer Books, da editora McSweeney's.

João Paulo Cuenca é escritor e colunista do jornal
O Globo. Publicou dois romances, Corpo Presente e Os Dias Mastroianni, e integra coletâneas como B39 - Antologia del Cuento Latinoamericano e Cem Melhores Crônicas Brasileiras.

Julio Villanueva é jornalista e escritor peruano. Fundador da Etiqueta Negra, revista de reportagem, ensaio e ficção, é autor de dois livros e professor visitante de instituições como Harvard, Yale e Universidad de Barcelona.

Andrew Leland, redator chefe fala das características da revista “The Believer”, brinca que apesar do nome (que em português soaria como “o crente”) não é uma publicação religiosa. Ele diz que a publicação possui design diferenciado, não possui fotografias, é ilustrada por Charles Burns, abordagem equilibrada entre cultura erudita e popular, que a empresa e orçamento menores possibilitam que a revista tenha menos anúncios e mais espaço, usado pelos colaboradores, alguns são grandes escritores que usam esse espaço maior para escrever sobre livros e longas entrevistas.
Leland disse que não publica ficção, porque quem lê acredita que é verdade, o máximo de proximidade com a ficção foi um colaborador que fez perguntas e respostas para si mesmo criando uma entrevistadora que não existia.

Julio Villanueva Chang exibe algumas reportagens da revista peruana “Etiqueta Negra” contando como elas surgiram a partir de coisas cotidianas, entre elas:
-Como conocer a la mujer de tu vida em um gimnasio, conta como um homem conheceu a namorada numa academia e sentiu a pressão social pela beleza.
_Miss mundo ya no es de este mundo, reportagem em 2005 sobre a miss mundo peruana, eleita por votos pela internet, telefone e mensagens de texto de celular para narrar a trajetória dela, a equipe esteve na cidade natal da miss e entrevistou pessoas que conviveram com ela, uma novela coletiva que parecia brincadeira, mas foi um árduo trabalho de pesquisa.
-Chita vive, reportagem sobre a macaca Chita, que na verdade é macho e estava sendo maltratada pelo atual dono e não era o macaco mais velho do mundo, como tinha sido noticiado.
- uma agenda contra el olvido, reportagem sobre uma mulher que Julio encontrou num café em Santiago e na hora ela anotou café com Julio, ele curioso perguntou por qual motivo ela anotava o que já estava acontecendo e ela contou que anotava tudo que acontecia com medo do esquecimento que uma familiar dela teve com o mal de Alzheimer, e desde então ela passou a anotar tudo e já havia preenchido 13 agendas, Julio diz com esse exemplo que quando escrevemos usando o “eu” como protagonista não deixa de ser jornalismo, que pode ou não ser usado.
-¿Qué tienen las brasileñas que no tenga yo?, reportagem sobre o mito da beleza das mulheres brasileiras de vários estados do país.
_ El ruso que jamás volvió de Machu Picchu, reportagem sobre turista russo que teria sido partido por um raio, na verdade não foi o raio em si, ele não foi queimado, mas o choque elétrico provocado pela onda expansiva foi fatal, conseguiram alguém que falava russo que ajudou a elaborar a reportagem.
-Una hora y cuarto de sexo oral con la Cicciolina, Julio falou como foi produzida a reportagem com Cicciolina atriz pornô que foi deputada na Itália, trata-la como uma senhora e não como atriz de filme pornô, conversas por messenger, informações sobre a Itália, transcrição completa com notas de rodapé renderam 19 páginas de pergunta e resposta de material a ser editado.
Júlio fala da pirâmide invertida, curiosidade das pessoas, protagonismo do autor, o acesso para quem quer falar, as onomatopéias, cena por cena.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Anotações sobre o Tema Blog no II Seminário Internacional Rumos Jornalismo Cultural

Na foto Tiago Dória, Fábio Malini e António Granado
O II Seminário Internacional Rumos Jornalismo Cultural, realizado no Itaú Cultural em São Paulo de 03 a 05 de dezembro de 2008 04/12/2008 – 19:30 - Palavras Cruzadas - António Granado, Fábio Malini e Thiago Dória (mediador) Abaixo seguem as transcrições dos rascunhos feitos por mim durante o evento, acrescidos dos links que pesquisei depois Mini currículo dos participantes António Granado é jornalista português, mestre em jornalismo científico pela Boston University (EUA) e doutor em comunicação pela Leeds University (Inglaterra). É chefe de redação do diário português Público e edita o blog Ponto Media. Fábio Malini é jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em Vitória. Mestre em Ciência da Informação e doutor em Comunicação e Cultura, é membro do comitê editorial da Revista Global Brasil. Tiago Dória é jornalista e consultor de mídia. Desde 2003 edita um blog sobre cultura web e tecnologia, atualmente ancorado no portal iG. Em 2007 seu blog foi eleito um dos melhores na língua portuguesa pelo site Portugal Diário, de Lisboa.
Tiago Dória é blogueiro desde 2003, disse que 2008 era o ano dos blogs no Brasil, como exemplo ele informou que os blogs fizeram as coberturas mais rápidas da recente tragédia em Santa Catarina, que blog será tema de uma novela da Rede Globo. Houve a participação por telefone da blogueira cubana Yoani Sánchez, que participaria do debate pessoalmente, e foi impedida de sair de Cuba, desde março desse ano o blog dela foi filtrado pelo governo cubano para que não pode ser lido no país, ela ganhou o prêmio Ortega e Gasset. Yoani disse que não foi incentivada pelos prêmios que ganhou, mas que esses prêmios melhoram o reconhecimento do blog que ela escreve como uma forma de exorcismo pessoal para contar o que a televisão e os jornais não contam, impossibilitada de sair de Cuba, Yoani conta a ajuda de amigos fora de Cuba para publicar as postagens no blog que ela envia por e-mail e mandam para ela também por e-mail os comentários recebidos no blog, pois em Cuba não há internet doméstica, apenas em hotéis e em dois cafés na cidade de Havana, além do mais a conexão é muito cara. Ela contou que em Cuba existem cerca de 12 blogs embriões que enfrentam os mesmos problemas que ela, ela acredita que quanto mais blogs, haverá mais força e proteção. O jornalista português António Granado, blogueiro desde 2001, diz que assim como existem jornais que não lemos, existem os blogs que também não lemos. Ele aponta alguns problemas como: -Descrença e o fato de alguns leitores não lerem jornais; -O fato de algumas publicações estarem afundando; -Existem alguns “dinossauros” nas redações - Os meios de comunicação de massa querem poupar dinheiro. A participação do público que, para alguns, é um problema, para António é essencial essa interação, segundo ele também há necessidade de melhorar a relação entre os jornalistas e o público. António também aponta algumas tendências para o futuro: - Dificuldade para atrair usuários para as mídias tradicionais; - Migração de órgãos de comunicação social para formato web; - Mais informação vinda da audiência; -As comunidades em volta dos meios de comunicação de massa; - Novos profissionais dominam a linguagem multimídia; -Jornalistas serão cada vez mais mediadores; O jornalista e professor Fábio Malini fez a apresentação Digito, logo reporto. Ele inicia a apresentação com uma frase de um herdeiro de McLuhan: o canadense Derrick de Kerkove – “Não creio que seja uma exibição de eu, mas antes a relação com os outros”. Fábio diz que os blogs foram o 3º grande momento da internet, ela que começou como um projeto de resistência, descentralizada, anônima, os blogs surgiram como uma cultura da ação direta sem a mediação clássica da imprensa. Ele descreve algumas características do blog: -ININTERRUPTO, não é periódico como os jornais; -AUTORAL, pode ser coletivo, individual, pretende ser autoral, independente do formato possui dimensão subjetiva; -CONVERSACIONAL, o povoamento na internet de e-mails, comunidades virtuais, espaço entre blogueiros e audiência, a mediação se dilui e o processo ganha alma; -PRODUTOR DE INTIMIDADES, entre o autor e o leitor, as pessoas se projetam no que lêem, vai além do público e privado; -LIDO EM PEQUENOS MUNDOS, lógica de bandos dispersos, conjuntos; -INCLASSIFICÁVEL, tanto o tom como o tema, como classificar um blog se posso escrever vários tipos de texto? EVOLUÇÃO DOS BLOGS Em 1997, quando foram criados consistiam em link e pequeno comentário, o link é a alma do blogueiro e serve para classificar o mar infinito disponível na internet, atuando como uma espécie de filtro de informações. A capacidade cognitiva do autor é um capital não reproduzível por meio da tecnologia, lembra a idéia de Karl Marx sobre General Intellect (intelecto geral), Steve jobs teria classificado como pessoas inteligentes que dispõem de tempo ocioso. Em 1999, com o surgimento da plataforma blogger, um sistema automático que facilitou o acesso, anteriormente se fazia necessário entender de HTML, o blogger impulsionou uma nova linguagem: o diário on line, que possibilita escrita de pensamentos ou observações, tanto que muitas pessoas não se sentem inclinadas a criar um link e escrever algo em tono dele, como era em 1997 quando os blogs surgiram. Em 2001, com os ataques terroristas em 11 de setembro, o site slashdot bateu o recorde em número de acessos, quando os portais das grandes emissoras de televisão e agências noticiosas tradicionais estavam lentos pelo excessivo número de acessos ou fora do ar. Assim, houve um reforço na capacidade dos blogs reproduzirem um acontecimento, alargou um campo jornalístico, no qual os blogueiros são os narradores, a produção amadora de notícias, surgiram blogs militares, blogs de guerra, um exemplo é o http://www.back-to-iraq.com/ e blogs de civis como o de uma jovem iraquiana o http://riverbendblog.blogspot.com/. Fábio Malini usou ferramentas gratuitas como o Technorati e Blogpulse para mostrar os temas que atraem forte fluxo de informação nos blogs, mostrou que houveram 467 posts sobre o estado de Santa Catarina, que recentemente passou por uma tragédia, a blogosfera aparece solidária e atuante, um exemplo é o blog Notícias de Blumenau.Essas pesquisas mostraram que sexo era o assunto mais buscado, porém possui um número inferior de publicações em comparação aos temas literatura e arte. Música apareceu como principal tema da agenda da blogosfera em língua portuguesa. A pesquisa em inglês com as palavras: música, filme e livro teve como resultado que os blogueiros se interessam por música, e que a telvisão é menos debatida que livros. Em língua portuguesa o blogueiro prefere opinião, blogs não só reproduzem notícias.Os blogs diferentemente do jornalismo não pretendem exaurir um assunto, eles levam leitores para outras fontes numa cadeia coletiva e hipertextual de conteúdo, importam temas de outros blogs. A reputação e / ou autoridade de um blog é em boa parte resultado da quantidade de ligações (links) que um blog recebe. O professor falou dos memes, que são post criados com uma idéia para fazer com que outras pessoas escrevam sobre esse mesmo assunto dando seu ponto de vista. Ele expôs a polêmica de uma blogueira no Amapá que, em 2006, criou a campanha Xô Sarney e teve o blog retirado do ar pelo uol e mudou para outra plataforma, o caso virou notícia.Tiago Dória, mediador da mesa, questiona os participantes sobre o fato do New York Times, que era tão resistente, ter quebrado o tabu da concorrência ao abrir o site para links externos, oferece um serviço e tenta mostrar que não teme a concorrência, algo que Tiago colocou em seu blog. Fábio Malini lembrou de uma revolta estudantil no Chile, na qual os estudantes difundiram a revolta de forma particular por meio de fotologs, que foram usados como dispositivos imediatos de ação política, ele escreveu sobre esse assunto em seu blog, ele também falou de um caso ocorrido em 2006, quando vários veículos de imprensa processaram o google news na Bélgica por veicular links externos.

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